A vida: esse eterno paradoxo!

A vida é um eterno paradoxo! Não somos absolutamente nada e, uma vez cientes disso, somos tudo que nos é permitido ser! Para quem não traduz essas palavras, trata-se do seguinte: somente através do reconhecimento de nossa insignificância perante Deus seremos alguma coisa nesta vida! Enquanto milhares de homens se deixam levar por cargos, status pessoal, enfim, por promessas vãs que de nada servem ao aprendizado que devemos ter neste plano terreno, felizes são os poucos que reconhecem a diminuta proporção que têm frente à enormidade do Universo!

O que faz alguém pensar que uma secretaria de Estado, um ministério, é maior que a graça de se saber uma criatura à imagem e semelhança de Deus? Esse sentimento que nos coloca a crença de sermos maiores que alguém, destrói qualquer pretensão de felicidade. A vida é para ser vivida! A sinceridade é a chave do amor a Deus! A pureza ética, a clareza em relação aos valores mais elementares de nossa vida é que devem mover nossas atitudes.

No final, somos um complexo orgânico que será decomposto como qualquer outro dejeto que descartamos ao longo de nossa existência. Ficam, isto sim, nossos exemplos, nossa conduta, nossos princípios. Quando estivermos abaixo de uma laje fria que nos iguala, talvez já em outro plano, poderemos vislumbrar que nada fomos. Resta-nos a grandeza dessa constatação!

Fé, amor e caridade! Essa tríade axiológica deve ser a força motriz de cada um de nós! Mesmo daqueles empresários que possam adjetivar essas palavras como demagógicas (muitos usam esse adjetivo, pois lhes convém!). Alguém realmente acredita que um “economicamente desfavorecido” é menos do que qualquer um de nós? Pensem um pouco nos exemplos que São Francisco de Assis nos legou, despindo-se de toda vaidade humana, fazendo o bem e pregando a paz e a caridade. Leiam a Encíclica Rerum Novarum! Reflitam um pouco acerca da FRATERNIDADE! Por que será que vejo sorrisos mais sinceros em comunidades carentes do que em meu bairro, elitizado e muitas vezes hostil ao humanismo?

Infelizmente, essas almas raras não se interessam pela vida política. Com esse comportamento, deixam de contribuir com a massa que deles tanto precisa. Deixam o campo aberto a uma plêiade de pavões que em nada se preocupam com os destinos do povo. Fixam-se na obscura ambição pela mediocridade em que se traduz tanta “elegância” terrena. Imaginem um esquadrão político formado por indivíduos voltados aos reclames maiores dos necessitados!

Cabe àqueles que aceitarem esta mensagem a profunda reflexão acerca dessas ponderações. Pureza de princípios, humildade e caridade não fazem mal a ninguém. Em verdade, são muito mais valiosos se comparados à riqueza material e refletem os ensinamentos divinos. Vinicius de Moraes consignou:

“Você que só ganha pra juntar, o que é que há, diz pra mim o que é que há/ Você vai ver um dia, em que fria você vai entrar/ Por cima uma laje, embaixo a escuridão/ É fogo irmão, é fogo irmão/ Por cima uma laje, embaixo a escuridão/ É fogo irmão, é fogo irmão. Pois é amigo, como se dizia antigamente, o buraco é mais embaixo. E você, com todo o seu baú, vai ficar por lá na mais total solidão e pensando à beça que não levou nada do que juntou, só seu terno de cerimônia. Que fossa hein meu chapa, que fossa!”.

Felizmente, conheci excelentes exemplos que me demonstraram e me demonstram a possibilidade de vivermos de maneira mais justa. A vida terrena poderia estar pior na falta dessas pessoas! Um beijo no coração de cada uma delas!

*Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral é advogado, mestrando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e especializando em Direito Público pela Escola Paulista de Magistratura. Autor da obra “A função social da empresa no Direito Constitucional Econômico Brasileiro” e de artigos jurídicos. Associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação.

Anúncios