GENOÍNO E O CQC

CQC Genoíno

Creio que a maior parte dos leitores conhece programas como CQC (“Custe o que custar”) e Pânico, ambos da rede Bandeirantes de televisão. Não sou um telespectador assíduo de nenhum dos dois programas, embora tenha “uma certa predileção” – entres esses dois – pelo CQC, por tratar-se de uma programação que tenta conciliar humor e jornalismo. Porém, não posso dizer que efetivamente aprecio um ou outro.

Essa formatação – humor e jornalismo – por vezes extrapola. É difícil saber o limite do humor e o início da desonra ao entrevistado. A trajetória do programa demonstra que às vezes os integrantes “perdem a mão”, tanto que são conhecidos os diversos processos judiciais promovidos pelos entrevistados ou meramente citados que buscam reparação de danos de natureza moral.

Todo esse “preâmbulo” serve para afirmar que programas como CQC e Pânico exageram sim. Porém, exageram desde que tiveram início. O modelo de cada um dos programas jamais passou por uma alteração profunda a ponto de poder dizer que era um quando iniciou e hoje é outro completamente diverso.

Na última semana, José Genoíno foi o entrevistado da vez. É sabido que Genoíno não fala aos microfones do CQC e do Pânico. Na visão do Deputado Federal, esses programas em nada contribuem e, por isso, ele prefere se calar. O comportamento de Genoíno, ao menos a partir do escândalo mensalão é um tanto generalizado, na medida em que ele tem evitado exposição na mídia, ainda que em programas puramente jornalísticos.

O mensalão é um momento marcante da história, embora o PT procure negá-lo com alguma veemência. Como de costume, o partido está sempre “100% correto”. Se houve condenação, quem errou foi o STF ao condenar e não os envolvidos ao praticarem as condutas penalmente tipificadas. Tanto assim que os militantes procuram fazer uma “vaquinha” para que os condenados, ao menos até este momento, dentre eles Genoíno, paguem as multas aplicadas.

O episódio Genoíno-CQC demonstra, uma vez mais, que “seus companheiros” apenas gritam quando a questão envolve um deles. Explico. Se a mesma situação ocorresse com Paulo Maluf ou com o Pastor Marco Feliciano, ninguém se manifestaria. Aliás, boa parte daqueles que defendem Genoíno atacando o CQC, legitimaria a forma de entrevistar que agora condenam, divulgando vídeos na internet para acabar com a imagem dos entrevistados da vez.

Este texto não busca “inocentar” o CQC ou programas semelhantes em relação aos claros abusos que cometem. Ao contrário, minha única intenção é demonstrar, uma vez mais, que algumas pessoas permitem a utilização de expedientes com outras com as quais não têm relação de apreço que jamais aceitariam se o alvo fosse alguém mais próximo. O caso Genoíno demonstra exatamente esse comportamento “dois pesos, duas medidas”.

Apenas para esclarecer como esse tipo de mentalidade pode nos trazer enorme prejuízo, lembro aqueles que defendem, como eu, os direitos fundamentais e, claro, atacam os excessos da ditadura militar brasileira. Muitos vivem a postar em suas páginas na internet, diuturnamente, o nome dos militares que torturaram presos políticos. No entanto, algumas dessas pessoas, dentre as quais não me incluo, não pensam duas vezes ao defender regimes como o cubano, o venezuelano ou até mesmo aquele existente na antiga URSS ao tempo do comunismo.

Em suma, este texto, mais do que abordar o episódio Genoíno-CQC, busca tratar de uma questão bem mais importante à democracia. Trata-se da coerência! Não dá para ficar nessa ideia de “dois pesos e duas medidas”, pois essa é a raiz da divisão “ricos e pobres”, “nós e eles” que o governo federal tem tentado plantar na nação brasileira como forma de “cultivar classes eleitoras”. São os que falam da luta de classes e não vivem sem ela, da mesma forma que o estado revolucionário não pode ter fim, sob pena de não se poder continuar no poder. É lamentável que isso aconteça em nosso país!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor Universitário, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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Uma resposta

  1. CORRETÍSSIMO

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