Restam os vândalos anônimos…Muita baderna e pouca clareza de ideias!

ImagemAs manifestações verdadeiramente patrióticas ocorridas ao longo dos meses de junho e julho arrefeceram. Agora, restam alguns poucos grupos, a maior parte composta por mascarados que, praticando atos de vandalismo, buscam a mesma impunidade contra a qual a massa protestava no início das manifestações. São tão criminosos quanto aqueles contra os quais protestam.

O Congresso Nacional, capitaneado por figuras conhecidas por toda a Nação brasileira, não em razão de suas virtudes, mas sim de inúmeros vícios, dentre os quais a utilização de benefícios e dinheiro público em prol da vida privada e privilegiada que levam na condição de deputados e senadores, resolveu mostrar serviço ao longo de uma ou duas semanas para, como esperado, retornar à famigerada inércia. Falou-se em corrupção como crime hediondo, na revisão de cargos em comissão, em redução de ministérios etc. Nada de efetivo, porém, salvo alguns fatos pontuais.

As vozes que ouvimos atualmente já não representam aquele levante popular. Ao contrário, em sua maioria, as presentes manifestações são claramente partidarizadas, desenvolvidas por siglas que costumeiramente organizam manifestos como forma de conseguir um lugar ao sol ou, quando menos, de criar sombra aos adversários, a fim de que saiam com a imagem desgastada das funções que ocupam.

Pensar que ouve alguma mudança é excessiva ingenuidade. NADA MUDOU! A sugestão de um plebiscito, ignorância de nossa presidente da República, apenas serviu para alterar a pauta de discussões. Funcionou como uma artimanha clara para desviar o foco. Substituiu o necessário debate substancial pela superficial discussão acerca das formas de realização da reforma política. Demonstrou, novamente, o despreparo da presidência da República e dos líderes do Congresso Nacional, os quais, cientes da bonança que não tarda, levaram o povo em “banho-maria”.

É triste notar que toda aquela vontade de democracia desaguou nessa apatia da maioria e na selvageria da minoria que continua indo às ruas. Esse “ir às ruas”, conforme escrevi neste blog ao tempo das manifestações iniciais, está repleto de forma e vazio de conteúdo. Não há reforma que possa ser feita sem um povo que busque instrução. Há muito barulho, muita bagunça, muita desordem e pouquíssimo conhecimento acerca das formas pelas quais se joga o jogo democrático. Talvez isso sirva para demonstrar que a desorganização política nada mais é do que um reflexo da desorganização social e dos baixos níveis de cidadania.

Tudo isso sem falar das atrocidades realizadas no Rio de Janeiro. Não me refiro aos manifestantes acampados em frente às residências dos líderes desse Estado, mas sim dos vândalos que destruíram o Leblon. Não tenho a menor dúvida de que muitos pertencem ao crime organizado e visam a desestabilizar as instituições como forma de fortalecer a causa criminosa. Outros, porém, não passam de desmiolados que se valem desses atos para se sentirem alguém. Todos refletem o despreparo de nosso povo, além daquele atribuível a todos os níveis de governo.

Escândalos de corrupção não param de surgir em todas as órbitas. Os políticos, porém, prosseguem com o mesmo discurso. Buscam tirar algum proveito do caos que criaram e mantêm. Muitos se omitiram em face dos acontecimentos de junho e julho, mas tal omissão garantiu um período de reflexão, evitando-se, ainda, aparecerem como vidraça – pois pedra não faltava.

Com o afastamento dos “manifestantes de caras limpas”, surgiram os tais “encapuzados”. Capuzes que, a meu ver, apenas protegem alguns indivíduos revoltados que vandalizam o patrimônio público e privado em face da correta punição decorrente da prática de fatos típicos na esfera penal.

Sobraram aqueles que não acreditam na democracia e preferem a desordem. Aqueles que se negam a pensar o Estado como um agente que se perfaz pela união de todos nós. Restaram os que, ignorando a “faceta mimada” que ostentam, afirmam-se libertários e prosseguem vandalizando, demonstrando o desrespeito que possivelmente teriam pelos outros caso chegassem a alguma esfera de poder. “Autodenominados cidadãos” que dia após dia se mostram seduzidos pelo autoritarismo, ainda que uma de suas principais lutas seja contra a autoridade militarizada representada pela Polícia Militar. Isto é, são pessoas insensatas que não notam que reclamam daquilo que, no fundo, lhes constitui a própria essência.

Triste notar que essa minoria presente nas ruas, cujo comportamento agressivo e antijurídico apenas afasta os demais cidadãos, é formada por jovens que, ao invés de construírem algo, como muitos cartazes diziam nas legítimas e pacatas manifestações de junho e julho, preferem manifestar sua “revolta libertária” depredando o patrimônio do Estado – de todos nós – e daqueles agentes privados que têm garantido o direito de propriedade.

Dessa vez, fica a lição daquilo que não deve ser feito! Se “o gigante acordou”, é bom que recupere a sanidade! Muita baderna e pouca clareza de ideias…Chegamos no ponto ideal para tudo permanecer como está! Uma pena!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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