As “profecias de Collor” e a incerteza para 2014

Collor IAs eleições de 2014 nos reservam inúmeras surpresas. O quadro que nos parecia certo pode não ser o real. A filiação de Marina Silva ao PSB de Eduardo Campos muda muita coisa. Não pode ser vista como uma espécie de estratégia isolada do governador pernambucano. Creio que a atitude, ainda que inesperada, não era de todo ignorada enquanto possibilidade. Eduardo Campos pode ser cabeça de chapa com Marina como vice. Porém, até que isso seja decidido, “muita água rolará”. Vejo a filiação de Marina como uma grande oportunidade para alavancar a oposição. Porém, quem sou eu para ver alguma coisa?

Muito se disse a respeito da filiação da ex-senadora. Falei com alguns nomes com certa abertura no PSDB que acreditam que, antes disso, Aécio Neves já sabia que não deveria se lançar candidato. Opinião de gente experiente não deve ser afastada! Contudo, na minha modesta opinião, não me parece que Aécio já tenha se colocado “fora do páreo”. Isso não quer dizer, porém, que o senador descarte a hipótese de deixar de ser candidato para permanecer no senado e amadurecer o próprio partido. Há quem afirme que falta a Aécio a habilidade da política mineira, sobrando-lhe as notas da política carioca. Isso também não está descartado. De bobo o mineiro não tem nada!

Collor se pronunciou em Maceió, afirmando que Aécio não será candidato, pois acredita que José Serra não poupará o menor deslize do neto de Tancredo. De fato, Serra não costuma poupar ninguém para conseguir seus objetivos, ainda que tenha que se afirmar em face de correligionários. Ainda de acordo com minha modesta visão, penso que insistir em José Serra seria descartar a candidatura do PSDB – a presente e as futuras. Afinal, o ex-governador de SP tem enorme rejeição e, tendo em vista o resultado da última eleição municipal em SP, um candidato, mais do que contar com o apoio do eleitorado, deve se apresentar com a mínima rejeição possível. Essa situação fica ainda mais evidente com as manifestações de 2013.

Aécio, como presidente do PSDB, tem se apresentado em propagandas políticas. Para quê? Para capitalizar politicamente mirando 2018? Também é possível! Porém, creio que se o mineiro não encarar 2014, dificilmente se afirmará em 2018. O rumo será permanecer no senado e na política mineira, fato que, ao menos para ele, está longe de ser ruim. Essa opção alegra muitos tucanos paulistas, sobretudo os mais velhos, para os quais o preparo de Serra se sobrepõe à teimosia do ex-governador.

Collor também disse que a chapa do PSB está “de cabeça para baixo”. Marina será candidata e Eduardo Campos um possível vice. Atribui essa “profecia” ao fato de Marina ter conquista 20 milhões de votos nas últimas eleições presidenciais. Penso, porém, que dificilmente Marina chegará a esse patamar. Em que pese o fato de poder agregar votos do PSB, Marina deixou muitos seguidores descontentes com a opção que fez. Havia muita gente que acreditava em uma espécie de “projeto afastado da velha política”. Para esses, a escolha de Marina foi um tipo de traição.

Por outro lado, Collor apoiará a reeleição de Dilma ou de quem quer que seja indicado ao cargo que ela ocupa por parte do PT. Coisas da política nacional! Assim como Haddad se elegeu com o apoio de Maluf, Dilma pode ser reconduzida com a benção de Fernando Collor. Logo, a isenção das declarações do ex-presidente deve ser avaliada com enorme cautela. Todavia, não são profecias impossíveis!

Espero, porém, que a filiação de Marina ao PSB não fragilize a oposição. Muitos atribuem a Aécio o maior prejuízo. Outros, pensam que o governo federal perdeu, enquanto alguns defendem a derrota da própria Marina. Todas essas opiniões, em vista do cenário incerto, também podem representar uma forte tomada de posição do governo atual para lançar notícias que plantem na oposição a discórdia.

Essa estratégia também está longe de ser ilusória. A habilidade dos petistas pode sim desestabilizar a aliança inicialmente costurada na oposição. Caberá aos “cabeças” dessa ala manter a sensatez e a harmonia, sob pena de não chegarem sequer ao segundo turno. Se a discórdia reinar entre os opositores, o campo estará aberto à reeleição no primeiro turno. O futuro do PSB e do PSDB poderá ser o ostracismo, assim como ocorreu em diversos países nos quais faltou habilidade política à oposição.

Nesse contexto, tenho que reconhecer uma virtude do PT. O Partido dos Trabalhadores tem visão de partido que se sobrepõe a qualquer sigla nacional. Aliás, sobrepõe-se ao próprio interesse nacional! Enquanto tucanos brigam entre si e os filiados ao PSB avaliam quem será o cabeça da chapa que pretendem lançar, petistas veiculam informações que, embora inverossímeis, podem se apoiar na discórdia referida para se traduzirem em realidade.

Admitir Serra candidato é arrefecer, em definitivo – a meu ver – o eventual potencial de Aécio. Mais: representa o sepultamento da Social Democracia no Brasil – verdadeira pá de cal! -, uma vez que os tucanos, em prol de não queimarem Aécio, chegariam a 2018 sem a menor chance de lançar um candidato com reais condições de ser eleito. Uma discussão ou rediscussão interna no PSB, sobretudo em vista da possível aliança com os tucanos em alguns Estados, também pode representar prejuízo à oposição e, em contrapartida, vitória do governo.

Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. Desde já, porém, avalio como uma grande decepção a hipótese de ver a oposição brigando entre si e a situação navegando em mares tranquilos. Não é possível que a “nova geração” representada por Aécio e Eduardo seja capaz de colocar tudo a perder, abrindo mão da oportunidade que tem nas mãos para entregar um novo mandato ao PT já no primeiro turno. Enquanto nada se define, prossigo como um entusiasta das candidaturas de Aécio e Eduardo Campos, a fim de que, ao menos, cheguemos ao segundo turno com um debate que seja positivo ao país. Jamais serei partidário do monólogo decorrente da incapacidade de organização da oposição no Brasil.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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