O centenário de Vinicius de Moraes

Vinicius de MoraesOntem, 19 de outubro de 2013, comemoramos o centenário de nascimento de um de nossos maiores poetas. Vinicius de Moraes, o “poetinha camarada”, o “branco mais preto do Brasil, na linha direta de Xangô”, foi lembrado por inúmeros meios de comunicação e, é claro, por este eterno admirador que passou quase todo dia ouvindo suas canções e lendo seus poemas.

Vinicius foi um ser humano ímpar. Afinal, para além de sua genialidade, sempre se portava de maneira humilde e tolerante. Sabia como poucos transformar em palavras os sentimentos mais caros à vida humana. Lembrava-nos como a vida é preciosa, sem jamais cair na perigosa armadilha da hipocrisia. Mesmo amando a vida, Vinicius nunca deixou de amparar corações e mentes com as poesias que traziam alento às almas que viviam as mais constantes angústias da vida humana.

Não cheguei a conhecer Vinicius pessoalmente. Ele partiu antes da minha chegada! Porém, tive a graça de contar com pais, avós e tios que sempre me mostraram a riqueza das letras de Vinicius. Lembro-me que, já aos 5 anos, sabia a letra de “Tarde em Itapuã”, “Mais um Adeus”, “Testamento” entre tantas outras. É claro que muitas das imagens e mensagens presentes nas músicas, ao menos na infância, estavam além da minha capacidade pueril.

Contudo, foi a partir desse convívio com Vinicius de Moraes que levei sua obra comigo. A cada releitura que faço de seus poema descubro algo novo. As canções, sempre presentes em minha vida, prosseguem como verdadeiras lições da arte de viver.

O valor de uma boa cultura musical é determinante à formação de seres humanos. Atualmente, temos muitas canções que nada dizem. Valem, no mais das vezes, pelo ritmo que parece agradável àqueles que as escutam. Porém, seria melhor ficar apenas com a parte instrumental, já que as letras são o resultado de uma cultura perigosa e alienante.

As canções já não fazem pensar, são apenas repetidas como se fossem algo sem maior sentido. Preocupa-me a educação de nossas crianças ao som de “pseudopoetas” que não conseguem fazer uma estrofe sequer que leve o ouvinte a refletir.

Vinicius de Moraes e seus parceiros nos legaram um patrimônio incomensurável. Dentre as grandes verdades das músicas cantadas e poesias declamadas, existem estas:

“O amor é uma agonia, vem de noite e vai de dia/ É uma alegria que, de repente, uma vontade de chorar”;

“Você que só ganha pra juntar/ O que é que há?/ Diz pra mim o que é que há/ Você vai ver um dia, em que fria você vai entrar/ Por cima uma laje, embaixo a escuridão/ É fogo irmão, é fogo irmão”;

“Tem dias que eu fico/Pensando na vida/ E sinceramente, não vejo saída/ Como é, por exemplo, que dá pra entender/ A gente mal nasce e começa a morrer”;

“O amor é o carinho/ É o espinho que não se vê em cada flor/ É a vida quando/ Chega sangrando/ Aberto em pétalas de amor”;

“São demais os perigos desta vida/ Pra quem tem paixão, principalmente/ Quando uma lua chega de repente/ E se deixa no céu como esquecida/ E se ao luar que atua desvairado/ Vem se unir uma música qualquer/ Aí então, é preciso ter cuidado/ Porque deve andar perto uma mulher/ Deve andar perto uma mulher que é feita/ De música luar e sentimento/ E que a vida não quer de tão perfeita/ Uma mulher que é como a própria lua/ Tão linda que só espalha sofrimento/ Tão cheia de pudor que vive nua”.

Cada um desses versos está gravado em minha memória e, vez por outra, surge em minha boca como resposta a situações inusitadas com as quais me deparo. A angústia, a tristeza, a alegria, a amizade e a fé são elementos da vida humana. Mas tudo isso ganha mais valor quando alguém, inspirado por uma força maior, consegue traduzir sentimentos em palavras. Torna-os “tangíveis aos olhos” e facilmente compreensíveis ao intelecto.

Essas foram algumas das eternas virtudes de Vinicius de Moraes. Sendo eu um de seus maiores admiradores, jamais poderia deixar passar em branco o centenário desse homem que, a meu ver, é um dos principais gênios da humanidade.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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