“Ronaldo fenômeno”: o “bode expiatório” da Copa 2014! Acorda Brasil!

RonaldoSerá mesmo que Ronaldo “fenômeno” deve ser criticado como tem sido pelos apoiadores do governo federal? O que disse Ronaldo? Parece que afirmou que a Copa vai “de mal a pior”! Sim, ele integra o Comitê oficial da Copa. Ao contrário dos apoiadores do governo atual, ouço as críticas de um membro do comitê e líder do futebol nacional com enorme pesar. Ele mentiu? Não! Ele fala a verdade que é gritada nas ruas. Conseguirá afastar a própria responsabilidade? Penso que não. Afinal, foi irresponsável ao assumir esse posto sem se dar conta dos irresponsáveis que estavam e sempre estiveram à frente do futebol brasileiro. Ademais, ignorou a velha e conhecida falta de planejamento do governo Dilma.

Todos afirmam que Ronaldo é “oportunista” ou “duas caras”. Por que? Por ter encarado o estado atual às vésperas da Copa? Não seria uma conduta elogiável a autocrítica de alguém que integra o Comitê oficial? O problema não está no conteúdo das “declarações fenomênicas” sobre a trágica Copa que teremos, mas sim no apoio declarado que o fenômeno apresenta à candidatura de Aécio Neves.

Nesse contexto, resta a dúvida: os militantes do PT são ingênuos a ponto de pensar que Ronaldo, amigo de Aécio Neves, deixaria de apoiá-lo ainda que os preparativos para a Copa estivessem em ordem? Ronaldo não é e nunca foi petista. Aliás, boa parte dos ídolos do esporte, da música e do teatro estão e sempre estiveram ao lado do senador mineiro. Então, qual a razão para a surpresa?

A filha de Ricardo Teixeira, neta de Havelange, afirmou em redes sociais que a Copa será um sucesso e que os que se manifestam fazem-no tardiamente. Será mesmo que há tempo para reclamar ética e probidade? Na visão da singela donzela a corrupção é apenas um detalhe da Copa 2014? Não! A corrupção, a desordem e a falta de planejamento são a tônica do mundial de futebol.

Ronaldo é Aécio são amigos, e não é de hoje! Todos sabemos que ambos conservam estreita amizade. Eu jamais estaria ao lado de Dilma, assim como Ronaldo não estará. Ronaldo não era um “garoto propaganda” do governo federal, mas sim um sujeito que, por sua fama no mundo da bola, conferia credibilidade ao Comitê. Pelo visto, nem mesmo o fenômeno foi capaz de inibir os ideais populistas e eleitoreiros do governo federal. Será mesmo que acreditavam que Ronaldo não criticaria os desmandos da organização? Será mesmo que pensavam que ele figuraria ao lado de Dilma em prol de um novo mandato?

Uma vez mais, calcularam mal. Não planejaram! Contaram com alguém que não tem razões para “ter rabo preso” com os petistas. Apelaram para o populismo sem notar que o ídolo escolhido não abriria mão de “meter a boca” nas atrocidades que envolvem o mundial. Se todo brasileiro fosse capaz dessa autocrítica, compondo governos ou não, certamente viveríamos dias melhores. Se os integrantes do Conselho de Administração da Petrobrás dissessem na CPI mista tudo que sabem, a maior empresa brasileira não estaria na situação em que se encontra.

Ao invés de crucificar o “fenômeno”, cabe-nos avaliar o que ele afirma com “conhecimento de causa”. Mais do que querer um político ou outro como presidente do país, nossa Nação deveria buscar a transparência nos gastos do erário. Ronaldo tem responsabilidade, pois só abriu a boca agora. Porém, parece-me que sua responsabilidade está no campo moral e não no jurídico. Respondam os leitores se está nesse mesmo campo a responsabilidade daqueles que “levaram por fora” na Copa 2014. Ronaldo, ainda no campo moral, assume que a situação é catastrófica e, assim, redime-se, parcialmente, em relação às afirmações que fez quando o Brasil foi escolhido sede da Copa 2014.

O que dizer, porém, do governo federal, dos investimentos em prol de um evento que, claramente, não reverterá em favor do povo? O que dizer da luta de Lula pela Copa no Brasil? O que dizer da Lei Geral da Copa, chancelada pelo STF, que deixa a soberania de lado em prol de interesses privados ao longo de um mês? O que pensar acerca do claro uso político do evento que, felizmente, parece não ter a mesma potencialidade que teve outrora?

Assim, antes de apontar o dedo para Ronaldo, analisemos os responsáveis pelo caos instalado. Avaliemos o despreparo do governo federal e o descompromisso com o bem comum. Notemos que os “populistas” se valem de qualquer fato – ainda que tenham que deturpá-lo – para prosseguir no poder. Como sempre digo, deixemos de ser uma Nação de torcedores para nos tornarmos um país que exerce a cidadania. Campeões ou não da Copa, quero ver esta Nação dar a resposta nas urnas, mudando o estado atual da política, a fim de que não nos transformemos em uma triste Venezuela.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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