Sobre a Copa 2014…

Copa LulaMuitos me perguntam o que penso a respeito da Copa do Mundo no Brasil. Tive oportunidade de escrever alguns textos, publicados neste blog, que abordaram o tema. É óbvio que o Brasil poderia ser sede da Copa, desde que soubéssemos planejar eventos desse porte. A Copa é uma oportunidade para governantes preparados deixarem ao país um legado de infraestrutura. As áreas de transportes, turismo, esporte, podem ganhar muito com eventos como esse. Afinal, representam uma excelente oportunidade de colocar o país no centro das atenções de todo o mundo.

Quando escrevi o texto sobre as declarações de Ronaldo “fenômeno”, muitos acreditavam que eu seria absolutamente contra a realização do evento no país. Não sou! As razões que me fazem ver a Copa com bastante cuidado estão atrelados ao modo pelo qual ela foi “buscada”. A campanha de Lula em prol da realização da Copa do Brasil não envolvia as preocupações e objetivos delineados no parágrafo anterior. Lula, um dos maiores símbolos do famigerado “populismo”, buscou a Copa como forma de garantir o poder de seu partido, na linha do que fariam os “pseudodemocratas” da América Latina que integram o Foro de São Paulo.

É conhecida a passagem na qual o ex-presidente Figueiredo rejeitou realizar a Copa do Mundo no Brasil. Naquela época, Figueiredo notava que existiam inúmeras outras prioridades a serem concretizadas. De fato, a situação não mudou quase nada. O Brasil não tinha, nem tem, condições sociais e econômicas para “se dar ao luxo” de recepcionar um evento de tal porte. Há muito a ser feito em prol da população. Porém, é possível avaliar que eventos como esse trazem, conforme explanado acima, investimentos e, assim, podem servir ao desenvolvimento nacional.

O problema, pois, não é a Copa em si. O problema está em quem planeja a Copa. Nosso governo federal, alinhado com as diretrizes de Lula, sempre viu a Copa como um instrumento de “populismo”. Não buscou garantir o legado acima referido. A prova maior desse fato é a maneira destrambelhada (para variar!) com que Lula se referiu à inexistência de transporte público de qualidade aos estádios da Copa. Segundo o ex-presidente, o brasileiro vai até mesmo andando às arenas. Infelizmente, o brasileiro que Lula vislumbra é aquele de outrora. Trata-se do cidadão inerte que aceitava os desvarios e o menosprezo dos governantes.

A Copa chegou e acontecerá. É inevitável! O Brasil estará nas manchetes de jornais por todo o mundo. Nosso país será lembrado e discutido. Contudo, tendo em vista os objetivos secundários vislumbrados pelo governo federal, temo que a lembrança de nossa pátria se dê pela péssima estrutura com a qual atenderemos aqueles que aqui estarão nos próximos dias. O planejamento não está na genética brasileira. Entretanto, especialmente no governo federal atual, o que realmente pesa não é apenas nossa “famigerada falta de planejamento”, mas sim a péssima mania do improviso.

O governo não trabalhou em prol da estrutura necessária para a realização do evento. Pensava explorá-lo politicamente, e, nessa ânsia, esqueceu-se que a Copa não é feita na base do “populismo”. A Copa custa muito dinheiro e pode, se mal realizada, representar prejuízos ao país. Nesse contexto, resta claro que a Copa não é um problema por si só. Ao contrário, poderia significar uma grande oportunidade. Contudo, assim como perdemos a oportunidade de realizar desenvolvimento sustentável ao tempo das “vacas gordas”, perdemos a chance de fazer um belo evento.

As manifestações que tomam conta das ruas são legítimas. Todavia, assim como as obras para a realização do evento, são tardias. Quando, há aproximadamente 7 anos, Lula chorava pela escolha do país como sede da Copa 2014, comemorando seus ideais “populistas”, pouca gente notava que não tínhamos preparo para a realização do evento. A Nação, que tem mais torcedores do que cidadãos, vibrou com Lula e acabou por conduzir sua sucessora ao poder.

Dilma, apelidada como “gerente” do governo Lula, provou que de gestão pouco entende. Perdeu inúmeras oportunidades de levar o país adiante, sendo certo que a péssima condução dos trabalhos para a Copa 2014 é apenas mais uma delas.

As manifestações prosseguirão, mas a Copa ocorrerá apesar delas. A cidadania, porém, não pode cessar seu movimento legítimo quando acabar o evento. É preciso que a péssima experiência do preparo para a Copa seja lembrada por todos na hora do voto. Não é o caso de torcer contra a seleção brasileira. Esse seria mais um péssimo modo de negarmos nosso patriotismo. Eu torcerei pelo Brasil!

A escolha da Copa, o trabalho para que ela viesse ao Brasil, tem claros responsáveis. A má condução dos trabalhos e a maneira atabalhoada pela qual se deram as obras também podem ser atribuídas aos reais responsáveis pelo descaso com o evento em face do qual, como Nação, nos comprometemos.

As notícias sugerem que nossa presidente não será capaz de se submeter ao povo que tanto diz amar. O “populismo” que trouxe a Copa para o Brasil resolveu se valer do aconchego de estúdios de TV para se pronunciar. Por que? Para evitar uníssona vaia das arquibancadas do Itaquerão na estreia da seleção. Dilma, contrariando seu discurso populista, preferirá falar à Nação por meio das redes de televisão e rádio. Não quer mostrar ao mundo a rejeição que, apesar de pesquisas duvidosas, sofre de parte dos cidadãos brasileiros.

Poderia escrever mais algumas centenas de linhas acerca desses fatos. Limito-me, porém, àquelas que acima se encontram. Caberá à cidadania refletir muito a respeito da “lei do improviso” do governo federal. A cidadania poderá, no interior de seus lares, assim como a presente fará em estúdio de TV, pensar a respeito do descaso que lhe destina o governo Dilma. O improviso é a nota do governo atual.

Há improviso na área social, com vãs promessas de casas populares; na área econômica, com mentiras atreladas ao controle da inflação; na Petrobrás, com escândalos como Pasadena e Abreu e Lima. Temos material de sobra para refletir da Copa até as eleições. Aqueles que realmente estiverem dispostos a tal reflexão, concluirão que está na hora de escolher algo diferente do governo atual. Não conseguiremos suportar mais 4 anos de Dilma no poder. Ficam os fatos e o pedido de reflexão a todos os leitores.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

 

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