As vaias da torcida brasileira

DilmaOntem a torcida brasileira no “Itaquerão” apresentou suas legítimas críticas à presidente Dilma. Ela, que já sabia de sua impopularidade com a torcida e com boa parte dos brasileiros, preferiu usar os canais de televisão a enfrentar, de viva voz, a torcida no estádio. Tal comportamento, além de simbolizar clara fraqueza da presidente, mostra que o “populismo”, felizmente, começa a perder espaço no Brasil.

Hoje, um dia após o protesto da torcida, Dilma se pronunciou. Uma vez mais, como seu partido tenta fazer ao longo dos três mandatos à frente da Presidência da República, desvirtuou os fatos. O que ela fez? Desmereceu os torcedores, desmereceu a legítima manifestação que encontrou no “Itaquerão”. É óbvio que não me alinho com aqueles que querem levar ofensas pessoais à presidente. Meu alinhamento é com milhares de brasileiros que sabem que não suportaremos mais 4 anos de Dilma ou, ainda pior, de Lula no poder.

Infelizmente, petistas acuados preferem desvirtuar os fatos. Não ousam encará-los de frente. Novamente, muitos textos afirmam que os protestos partiram da classe média ou da “elite branca nacional”. Como se o coro de mais de 60 mil torcedores fosse algo a ser afastado. Preferem dividir os brasileiros no velho “nós X eles”, fazendo crer que a manifestação no estádio não reflete insatisfação do povo em face do governo atual.

O argumento que utilizam, porém, demonstra a desfaçatez com que avaliam a aversão de boa parte dos cidadãos aos desmandos que envolveram a realização da Copa. Dividem a Nação e buscam condenar aqueles que pertencem às classes média e alta. Preferem acreditar que essas classes não merecem ter voz.

Curioso, contudo, é notar que os governos Lula e Dilma foram, na maior parte dos anos, o “braço direito” do sistema financeiro. “Nunca na história deste país” os bancos lucraram tanto. As concessões em matéria econômica nos trouxeram para uma triste realidade de aumento da inflação. A infraestrutura tão propalada não foi apresentada. Programas sociais prosseguiram como um instrumento de populismo e perpetuação do poder central, jamais como política de Estado.

A forma como Dilma e o PT buscam “apagar” as vaias no “Itaquerão” apenas reflete a aversão que têm ao jogo democrático. No entanto, não devemos nos esquecer, Dilma deixou de se pronunciar, pois, em algum momento, percebeu que a reação popular seria aquela que vimos nas ruas em junho de 2013. Nestas, assim como pretendem fazer os militantes do PT, a manifestação era justa, desde que as classes média e alta não as integrassem. Jamais me esquecerei da reclamação dos movimentos sociais quando notaram que boa parte dos integrantes das referidas classes também ocupava as ruas.

Eles vivem, diuturnamente, o marxismo e a luta de classes, sem notar que essa teoria pouco contribuirá para solucionar problemas de uma sociedade bem mais complexa do que aquela do final do século XIX. São os órfãos do stalinismo. São os ideólogos burocratas que buscam o bem do partido central, valendo-se de falsas pretensões populares.

Qual foi a opção para afastar as classes média e alta das manifestações? Violência. Violência fundada, em grande medida, na partidarização dos manifestos. É interessante notar a forma como Dilma busca rechaçar o legítimo manifesto das arquibancadas. Afinal, os integrantes do partido da presidente sempre estiveram ao lado de movimentos violentos que jamais se preocuparam com a reputação de quem quer que seja. Será que Dilma prova parte do veneno de seu próprio partido? Parece-me que sim! Após destruir e tentar destruir a reputação de diversos políticos da oposição, Dilma e seu governo começam a sentir a justa reclamação dos cidadãos.

Por todas essas razões, reafirmo, sou a favor da Copa – já que ela está aí! – e contra a continuidade do governo Dilma. Não quero ofensas pessoais à presidente, mas sim a lucidez da população no sentido de concluir que não há mais espaço para a permanência do governo que aí está. O Brasil precisa e clama por mudanças. Ainda que Dilma tente ignorar a realidade que se apresenta, o povo está, “como nunca antes na história deste país” consciente da necessidade de mudança e correção de rumos da democracia brasileira.

Por fim, cabe lembrar que Dilma não encontrou integrantes das classes menos favorecidas nos estádios, pois o governo federal, juntamente com a FIFA, impuseram preços proibitivos aos ingressos, ao menos para que essas classes pudessem adquiri-los. Dilma sabe e sempre soube que as arenas seriam tomadas por integrantes das classes média e alta. Agora, procura se defender afirmando que, se os mais pobres ali estivessem, o cenário seria outro. O que isso significa? Significa que a presidente continua preferindo desvirtuar os fatos. Afinal, os movimentos sociais que pedem direitos sociais não estão ao seu lado como, um dia, já estiveram. Assim, independentemente da classe que estivesse no estádio, as vaias seriam as mesmas e igualmente legítimas.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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