A conhecida prática “stalinista” de desvirtuar os fatos e oprimir os que pensam de forma contrária

StalinEscrevi um texto a respeito das vaias que a torcida brasileira destinou à presidente Dilma. Afirmei que jamais me alinharei com aqueles que partiram para ofensas pessoais à presidente. Porém, não retiro uma vírgula das vaias apresentadas no estádio, pois sei que elas representam a indignação da população brasileira em face dos desmandos na realização da Copa, da maré de corrupção e do famigerado plano de poder do governo federal que prefere o partido ao país.

Comentei que Dilma preferiu não se pronunciar na abertura da Copa. Optou por fazê-lo no conforto de estúdios de tv. Se a presidente fosse realmente corajosa e popular como afirmam, teria encarado a torcida, composta não pela tal “elite branca”, mas por cidadãos como qualquer um de nós que vive diariamente sob a “pseudodemocracia” apoiada no populismo. Dilma preferiu, uma vez mais, desvirtuar os fatos e ignorar a insatisfação dos torcedores. À moda das piores ditaduras de esquerda, fez aquilo que Stalin faria. Criou para si uma situação de “injustiça”, optou, novamente, pela “vitimização” típica dos que são fracos de ideias e se apoiam no emocional para manipular o povo.

Ontem, na convenção nacional do PT em SP, Dilma escolheu não comparecer. Gravou uma mensagem aos correligionários. Segundo as lideranças do PT, Dilma não compareceu “por ter muitos compromissos”. Entretanto, Lula jamais deixou de vir à Convenção no Estado de SP. São Paulo foi o berço do PT. Quem sabe Dilma, assim como na Copa, temia a aversão que já existe dentro de seu próprio partido. Quem sabe Dilma, sabendo que quadros petistas como Padilha, Haddad e Suplicy foram vaiados no 1º de maio pelos integrantes da CUT – central historicamente ligada ao PT -, achou melhor não se submeter à insatisfação presencial de seus correligionários.

Se Dilma não compareceu, quem falou pelo PT? O único capaz de receber apoio da maior parte dos petistas. Quem falou foi Lula. O mesmo Lula que tem proferido críticas ao governo Dilma e, quem sabe, que ainda virá como real candidato do PT. Lula e sua equipe trabalham pelo enfraquecimento de Dilma, embora não possam fazer isso de maneira declarada. Minam aos poucos o governo da presidente, com críticas que são apresentadas até mesmo por membros da oposição.

A briga interna do PT é conhecida, sobretudo no âmbito do PT paulista. O que mais chamou a atenção no discurso de Lula, porém, foi a velha divisão que ele prossegue a afirmar entre “ricos e pobres” ou entre “nós e eles” (comentei essa prática em 2012: https://cidadaniadireitoejustica.wordpress.com/2012/11/10/a-famigerada-e-perigosa-divisao-ricos-de-um-lado-pobres-do-outro/). Lula rechaçou as vaias e ofensas à Dilma, sustentando que a “elite” organiza um movimento de ódio contra o PT. Esse ódio tem sido trabalhado pelos petistas desde a condenação dos mensaleiros. Eles são pudicos e jamais podem ser insultados. São “semi-deuses” e representam a “salvação dos pobres”, ainda que seus governos tenham sido pródigos para os lucros exorbitantes dos bancos. O partido vale mais dos que as instituições democráticas, razão pela qual ignoram o Legislativo e o Judiciário, isso quando não os agridem verbalmente.

Lula, com o conhecido populismo barato, à moda dos “bolivarianos”, não vê o Brasil como uma Nação. Vê o país como um cenário no qual conduzirá o projeto de poder do PT. Hoje ele fala em “ricos e pobres”, assim como amanhã poderá falar em “ricos de bem”, caso isso sirva aos interesses maiores de seu partido. Lula desmerece milhares de cidadãos que vaiaram Dilma e que lutaram bravamente para conquistar o valor dos ingressos que os permitiu assistir a abertura da Copa, ao contrário de “companheiros” que receberam gratuitamente os ingressos. Lula desconhece o trabalho de uma classe que pensa e que não se deixa ser enganada pelo famigerado jogo stalinista que desvirtua os fatos e ofende quem pense de maneira contrário, praticando típico “policiamento ideológico”.

Os discursos de Lula e de Dilma apenas consagram a já conhecida aversão à democracia. Sustentam até mesmo que a elite quer democracia sem o povo, quando, em verdade, é o PT que quer a democracia apenas com aqueles que comungam de sua ideologia. Essa “pseudodemocracia” é a base dos governos latino-americanos apoiados pelo PT e pelo Foro de SP. Eles dão cara de democracia à ditadura que buscam legitimar através da participação daqueles que lhes aprazem.

Trata-se do “novo peleguismo” getulista. Aliás, Getúlio Vargas, ditador por natureza, é um dos líderes desse grupo. Getúlio, como bem sabem aqueles que conhecem a história nacional, buscava aparecer como “pai dos pobres” para manter o poder e prendia e torturava os que lhe eram contrários. Ironia ou não, foi ao tempo de Getúlio Vargas que o Brasil sediou a Copa. Curioso, não?

Esse jogo odioso de bater nos contrários é velho conhecido da militância petista, tão bem forjada nas ideias stalinistas. Eu apanhei e apanharei bastante por defender o que penso. Apanharei por acreditar na democracia e na liberdade de expressão. Petistas dominam as redes sociais e não pensam duas vezes para proferirem ofensa por intermédio da manipulação dos fatos. São incapazes de responder às críticas, preferindo desmerecer o interlocutor (são infantis no debate!). Utilizam-na de modo a se mostrarem vítimas e, como sempre, pregam a enorme injustiça que as “classes favorecidas” lhes destinam. Vivemos um Brasil de constantes mentiras e preocupante desgaste da democracia.

Por fim, gostaria de lembrar que o gesto da torcida em face de Dilma não encontraria o mesmo repúdio se tivesse por alvo algum político da oposição. Dilmistas trabalham com dois pesos e duas medidas. Contra os inimigos vale tudo, inclusive o ilícito. Contra eles não vale nada, nem mesmo o legítimo direito proveniente da liberdade de expressão, razão pela qual defendem o controle social da mídia. Para constatar esse fato, basta lembrar que Mário Covas, pouco antes de morrer, foi fisicamente agredido por manifestantes que ocupavam o Colégio Caetano de Campos.

Quem os instigou? Ora, José Dirceu, grande “messias” desse exército de seres apaixonados que se recusa a pensar. Dias antes do trágico episódio com Mário Covas (http://www.youtube.com/watch?v=Akbo33Pet_w), um dos maiores guerreiros em prol da democracia ao tempo da ditadura militar, Dirceu incitou os militantes petistas, afirmando que os opositores deveriam “apanhar nas ruas e nas urnas”.

Os militantes, que apenas ouvem e não refletem, levaram o recado ao pé da letra. Conclusão: agrediram fisicamente o governador. José Dirceu, no bom estilo “não sei de nada”, “não fiz nada disso”, escreveu em 2012 afirmando que jamais incitou quem quer que seja. E agora, caros defensores de Dilma, o que é violência? Vaias são violência na democracia ou nos regimes totalitários? Violência é esse desavergonhado hábito de desvirtuar os fatos e fazer da Nação um mundo bipolar, como se existissem os brasileiros de bem (petistas de que classe for!) e os brasileiros que não merecem respeito do Estado (todos que não se conformam com os desmandos petistas!).

Há muitos jovens que embarcam nessa falsa luta em prol dos menos favorecidos. A maior parte deles é movida pelo ideal de fraternidade, o qual também me move, mas jamais me fará aplaudir populistas que manipulam os menos favorecidos das mais diversas formas. Contudo, o estudo da história os ajudará a saber o uso malévolo que os políticos ao redor do mundo fizeram desse amor e dessa energia juvenil. Muitos jamais viveram sob um governo federal que não tivesse a estrela do PT. Muitos foram “doutrinados” por professores que, ao invés de fazerem os alunos pensarem, preferem formar discípulos, negando o que há de mais divino na docência. Os órfãos de Marx e do stalinismo continuam fazendo a “lavagem cerebral” que com eles foi feita na década de 60. Por que? Não sei! Talvez por frustração, talvez por vingança, talvez por ingenuidade! Lembrem-se de algo bastante relevante. Hélio Bicudo, petista histórico, deixou o PT ao conhecer as práticas que o partido adotou chegando ao governo federal para manter um projeto de poder e não de país. A democracia está longe de ser um valor para a cúpula petista.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

 

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