Com a morte de Eduardo Campos, Aécio Neves desponta como a única real opção de mudança

Aécio Neves okAs notícias que informam a existência de brigas internas no PSB, além de confirmarem o que escrevi em meu último texto a respeito da candidata Marina Silva, demonstram que boa parte do PSB parece estar mais alinhada à plataforma de Aécio Neves do que às posições bastantes radicais de sua própria candidata. Por que afirmo isso? Porque já se declara o receio de parte do PSB a respeito de eventual “cooptação” da campanha tucana em relação aos membros do partido de Eduardo Campos.

Uma vez mais, o simples receio, que Aécio já repeliu em manifestação pública, afirmando que não pretende cooptar nenhum pessebista, esclarece que Eduardo Campos estava mais perto de Aécio Neves do que muitos teimam afirmar. Campos e Aécio não eram iguais, mas tinham modos e ideais bastante parecidos. Pensam a política de maneira semelhante e, também por isso, foram governadores com excelente avaliação da população dos Estados que governaram, Pernambuco e Minas Gerais, respectivamente.

Ouso afirmar que Aécio nem precisará cooptar os insatisfeitos com a posição de Marina. Já disse que a candidata é um caso bastante difícil na política nacional. Trata-se de um quadro político que não tem a menor capacidade de resilir, virtude imprescindível à construção de uma candidatura e, ainda mais, à criação e consolidação de um governo no plano federal.

Enquanto a habilidade de Eduardo Campos controlava os dissidentes e a ânsia dos futuros integrantes da REDE, a chapa tinha alguma viabilidade. Com o falecimento dessa importante liderança, a candidatura de Marina fica acéfala em termos de conciliação política. Marina vê a política como um projeto inalterável. Ela confunde probidade com teimosia e intransigência. Além disso, busca ocultar relações bastante próximas com a ideologia do PT da década de 80. É uma política que não se mostra capaz de costurar alianças positivas e imprescindíveis à condução de um governo.

Eduardo Campos e Aécio Neves se conheciam desde a militância na juventude partidária. Como disse em outro texto, ambos vivem a política desde muito jovens. Os dois foram acompanhados e acompanharam de perto a trajetória de dois grandes líderes da política nacional: Miguel Arraes e Tancredo Neves. Para a política é preciso preparo e estômago. É preciso gostar da arte da política e não abominá-la, acreditando que resilir é algo ruim.

Marina Silva assusta boa parte dos brasileiros que entendem de política. Não assusta em razão de sua capacidade e probidade. Ao contrário, ela causa temor por ser uma pessoa ainda mais teimosa do que Dilma. É uma mulher que se daria bastante bem em regime diverso da democracia, no qual pudesse impor suas ideias. Não está pronta para dialogar e buscar a solução pluripartidária. Não se mostra capaz de tolerar diferenças. É bastante impositiva.

A herança de Eduardo Campos não está em boas mãos. Trata-se de uma herdeira que jamais conseguirá administrar tamanho capital político. É óbvio que seus correligionários buscarão caminhos alternativos, pois passam a perceber o comportamento deletério de Marina. Assim, não é preciso atribuir a Aécio eventual interesse em “cooptar” membros do PSB. É preciso reconhecer que os membros do PSB, cientes da inviabilidade de um governo capitaneado por Marina Silva, encontrarão na candidatura de Aécio Neves um modelo bem mais próximo daquele desenhado por Eduardo Campos.

Marina é a semente da discórdia. O PSB, preocupado com as atitudes da candidata, cogita recorrer à viúva de Eduardo Campos – Dona Renata – para aparar as arestas. Porém, mesmo assim é bastante difícil acreditar que Marina conseguirá compreender o que é a política. Ela não nasceu para a democracia. Está mais para “Antônio Conselheiro” em um verdadeiro movimento messiânico do que para uma real democrata. Assim como o PT, Marina divide a sociedade entre bons e maus, arrogando-se a posição de “líder dos bons”.

A campanha eleitoral para a presidência demonstra um único caminho àqueles que admiram o regime democrático. Esse caminho é representado por Aécio Neves. Eduardo Campos seria, conforme já escrevi, outra excelente opção (embora não fosse meu candidato). Contudo, sua morte precoce trouxe Marina à cabeça de chapa e fulminou a viabilidade de uma candidatura harmoniosa. Infelizmente, as duas candidatas – Dilma e Marina – representam contextos bastante parecidos. São teimosas, intransigentes e incompetentes.

Quem aposta na esperança deve lembrar das virtudes necessárias a um presidente. Nem Marina nem Dilma as apresentam. Os que nutrem esperança em vista da “novidade” que Marina parece representar, devem lembrar os problemas existentes na personalidade da candidata pessebista. O jogo político precisa ser jogado. Para isso, é importante ter bons jogadores.

A política se desenvolve num tabuleiro de xadrez. Marina e Dilma são jogadoras despreparadas que acabam com o jogo por falta de habilidade. Aécio, cuja experiência à frente do Poder Executivo e do Poder Legislativo é inquestionável, que já surgia como a melhor opção, a partir da morte de Eduardo Campos, desponta como a única opção. Afinal, se com Dilma já está ruim, com Marina será o mesmo ou ainda pior.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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