A falsa imagem de Marina Silva conquista eleitores. O imprevisto ganha espaço.

Marina SilvaO crescimento das intenções de voto na candidata Marina Silva reproduzem mais um instante do imprevisto na vida brasileira. Aliás, 2014 está se caracterizando como o ano do improvável e do imprevisto. Foi assim na Copa e, se permanecer do jeito que vai, também será assim nas eleições presidenciais.

Em meus textos anteriores fiz uma análise dos fatos. Segui o que me mostrava o caminho lógico com o conhecimento que tenho das questões políticas. Os fatos continuam os mesmos e merecem as mesmas considerações que fiz. Estranho, porém, é a conclusão que aparecem nas pesquisas eleitorais, conclusões que estão bastante afastadas daquelas que fiz.

Quais são os fatos que avaliei? Marina Silva é uma incógnita. Não apresenta clareza em suas propostas. Dotada de personalidade bastante difícil, bem como marcada pela soberba, a candidata é o auge da intransigência. Nem mesmo os seus correligionários conseguem estabelecer um diálogo amistoso com a candidata. Existe um “lado mimado” na política Marina que parece não ser constatado pelos eleitores que lhe destinam o voto. Ela se apresenta como a “nova política”, apenas negando o que denomina “velha política”. Acredita que basta essa definição para governar, ignorando o que é o “jogo político” e de que depende a viabilidade de um governo.

A precoce morte de Eduardo Campos auxiliou o avanço de Marina. Além disso, os eleitores de 2010 continuam a acreditar nas – a meu ver – falsas imagens que envolvem a candidata. É inegável, contudo, que Marina não encontra grande índice de rejeição, ela não é o novo, mas surge como uma opção que jamais exerceu função executiva a ponto de ser alvo de críticas em face de gestões anteriores. A baixa rejeição também movimenta campanhas, sobretudo em tempo de desgosto.

O elemento que ainda não estava claro em minha última avaliação refere-se ao poder messiânico de Marina Silva. Há notícias no sentido de que até mesmo o ex-ministro José Dirceu acredita na vitória da candidata e no fim do ciclo do PT na presidência. Na visão de Dirceu, Marina é o “Lula de saias”. Isso é bom? Não! Isso é péssimo!

Eu pensava que o eleitorado já estava escolado em relação a políticos que se apresentam como “salvadores da pátria”. Parece que minha esperança estava errada. A população continua se pautando por essa deletéria estratégia política que se funda em uma pessoa e não em ideias concretas e em instituições sólidas. Marina é o prosseguimento do populismo lulista que assolou o Brasil. A próxima atitude da candidata deve ser uma releitura da Carta aos brasileiros de 2002 apresentada por Lula.

Esse dado, no qual preferia não acreditar, parecer surgir com a última pesquisa. O crescimento de Marina, no qual jamais apostei, reflete a permanência do pensar populista e da crença em messias. Os eleitores de Marina não questionam as razões pelas quais ela não recebe a maior parte dos votos de seu Estado de origem, o Acre. Não se importam com as estreitas relações entre Marina e o velho PT, nem dão bola para a trajetória da candidata, sempre ligada às desavenças construídas em todos os partidos pelos quais passou.

Eleitores de Marina ignoram a inexistência de propostas, acreditando que a candidata fará o milagre da mudança. Irão para as urnas com a emoção nas pontas dos dedos que dedilharão o voto, mas se olvidam que o futuro governo deve se pautar pela razão.

A imagem de Marina, a construída, jamais a real, parece criar nos eleitores uma espécie de “esperança”. Habilidosos articuladores da campanha trabalham para a manutenção dessa idolatria, a fim de incluir Marina Silva no rol dos “políticos intocáveis”. Essa estratégia, contudo, pode servir para a campanha, mas não será profícua ao longo de eventual mandato. No governo Marina, a imagem real da candidata virá à tona e, mais uma vez, decepcionará os eleitores.

Por ora, porém, nem mesmos as críticas mais duras resvalam na imagem construída de Marina. Ao contrário, na esteira de políticos populistas, as críticas parecem fortalecer a candidatura de Marina. Estivéssemos em um país sério e com considerável grau de instrução política, Marina jamais representaria o que representa. É a contradição em pessoa. Basta conhecer e avaliar sua trajetória política. Essa avaliação, porém, não está dentre as preocupações dos eleitores de Marina. Eles estão inebriados com a candidata e preferem crer em algo etéreo a avaliar o que há de real em Marina. Uma pena que assim seja!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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