Criador e criatura: Lula e Marina Silva

Marina LulaEscrevo há algum tempo sobre a candidatura de Marina Silva. Estou certo de que ela não representa nenhuma mudança. Não compõe a “nova política” da qual tanto fala. É resultado da “velha política” que condena. Foi criada no PT, partido pelo qual exerceu diversos cargos. Acabou deixando os petistas por desavenças e, sobretudo, para se candidatar à presidência. Seguiu para o PV. Também deixou essa sigla, após brigas com correligionários. Eduardo Campos, ao notar que Marina não conseguiria criar a Rede Sustentabilidade, atraiu a política para o PSB, embora já soubesse que ela, em prazo exíguo, deixaria o PSB para criar a REDE.

Campos morreu e Marina Silva assumiu a “cabeça de chapa” do PSB. A comoção nacional e a “pseudoesperança” depositada na candidata mantêm Marina em 2º nas pesquisas de intenções de voto. Apesar dessa significativa posição no pleito nacional, Marina Silva continua a demonstrar que é cria de Lula e que tem relações bastante próximas com a ideologia do PT.

Os jornais de hoje noticiam que Marina Silva chorou ao comentar a forma como o PT tem promovido ataques à sua campanha. Afirmou que Lula proferiu injustas críticas à sua pessoa. Sustentou que sempre esteve ao lado de Lula e que pode se comparar ao líder petista. Chorou em razão de acreditar que Lula, seu grande líder, não poderia dirigir-se a ela da forma como o PT tem feito.

Analisemos essa reação da candidata. Ela pretende ser presidente da República. Chora com críticas de Lula e com ele se compara por sua trajetória de vida. Ao mesmo tempo, afirma que não representa a política que temos, sendo adepta da “nova política”. Se a “nova política” é representada por Marina Silva, devo concluir que essa “nova política” é feita das mesmas práticas da “velha política”, com um dado adicional: a “nova política” é a incoerência máxima da política adicionada à ausência de inteligência emocional.

Se Marina Silva pretende se lançar como uma opção surpreendente no cenário político, jamais deveria se comparar a Lula ou se decepcionar com aquilo que Lula diz. Pior ainda notar que Marina chorou com as críticas de Lula. Concluo que Marina é muito parecida com Lula e que, ao contrário de seu líder político, não tem a menor inteligência emocional para estar na política e, muito menos, para conduzir o Brasil.

A decepção de Marina Silva com Lula é um exemplo da criatura que se desilude em face de seu criador. Marina foi criada no PT e, pelo visto, tem a genética petista. Pretende ser o “novo”, mas se mostra o “velho”. Quer ser a novidade, mas se apresenta como “o Lula de saias” – na linha da expressão atribuída a José Dirceu.

As lágrimas de Marina Silva em virtude das críticas de Lula apenas reafirmam algo que os apreciadores da política já sabiam: Marina é cria de Lula e ainda sente devoção por seu criador. Ninguém chora por críticas que despreza. A fragilidade da candidata demonstra, para além de seu despreparo, sua íntima vinculação com o PT de Lula. Trata-se da filha que deixou o lar e, ao ser criticada por seu pai, chora copiosamente.

Triste notar que o Brasil não se deu conta desse fato. Lamentável perceber que a esperança de mudança está sendo depositada em uma candidata que tem muito pouco de diferente em relação ao PT. Enquanto a ignorância e a emoção predominam, os eleitores perdem a chance de escolher o único capaz de promover a mudança segura e competente em face dos governos do PT. Aécio Neves prossegue em 3º lugar, enquanto duas crias de Lula, Dilma e Marina, brigam para dizer que são diferentes entre si. Não são!

O governo de Marina Silva, se é que ocorrerá, poderá ser diferente do governo do PT em razão do PSB, jamais em virtude das posições pessoais da candidata. Marina é uma petista “fora do ninho”. Quem entrega o voto à Marina deve saber que o faz a uma pessoa com a genética petista.

É necessário colocar um fim ao deletério governo do PT. É preciso recuperar a economia, a eficiência e a probidade, sobretudo no que tange ao aparelhamento estatal e à utilização de empresas públicas para finalidades políticas. O fim desse ciclo apenas pode ser atribuído à candidatura de Aécio Neves, pois ele jamais foi do PT e sempre se mostrou oposição ao governo que aí está. Não exerceu cargos públicos a partir da nomeação de Lula ou de Dilma. Ao contrário, foi eleito deputado, governador e senador pelo partido no qual está há décadas. Se a “nova política” – denominação que não sabemos o sentido – pede coerência, então a escolha certa é Aécio Neves.

Enquanto isso, Marina Silva oficializa sua condição de criatura de Lula. O criador tenta amenizar os atos de sua criatura. A criatura chora com as críticas do criador. Nesse “ninho de iguais”, dificilmente teremos futuro distinto do presente. Nesse jogo de afagos e ódios entre criador e criatura, devemos escolher a opção real e segura de mudança. Devemos escolher Aécio Neves.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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