As eleições presidenciais, a subida de Aécio e as falácias dos marxistas

Aécio Neves okNa última semana eu escrevi um texto a respeito da idiotice revelada no chamado “voto útil” no 1º turno. Diversos eleitores afirmam que votarão em Marina Silva, mas que escolheriam Aécio. Por que não escolhem? É burrice optar pelo “voto útil” no 1º turno, sobretudo sabendo que o 2º turno é irremediável. Deixe para dar o “voto útil” quando não tiver nenhum candidato no qual verdadeiramente acredite. Até lá, confie seu voto àquele que demonstra maior capacidade e que faz jus à sua confiança.

Talvez em razão de notarem a ignorância representada pelo “voto útil” no 1º turno, Aécio Neves subiu nas últimas pesquisas enquanto as demais candidatas perderam intenções de votos ou se mantiveram na mesma. Não tenho dúvida de que Aécio poderá subir se o eleitor pensar e compreender que o 2º turno é certo e que o tal “voto útil” apenas deve ser utilizado quando não tivermos opção que vá ao encontro de nossas ideias.

O 2º turno é uma nova eleição. Os dois candidatos terão o mesmo espaço em canais de televisão e emissoras de rádio, haverá possíveis alianças e teremos debates que confrontarão apenas dois programas de governo. A par de tudo isso, as recentes atitudes de Marina Silva demonstram sua incoerência e sua baixa inteligência emocional, fatores muito importantes a um presidente da República. Não podemos negligenciar no 1º turno, sob pena de abrirmos mão da única chance real de escolha do candidato com o qual nos identificamos.

Para além disso tudo, sempre surgem as “justificativas marxistas”. Uma das principais foi apresentada por Boaventura Sousa Santos, professor catedrático da faculdade de economia da Universidade de Coimbra – Portugal, e conhecido adepto das ideias de Karl Marx. Difícil definir o que seja propriamente um marxista. Não é tão complicado, porém, avaliar quais são os professores que se deixam conduzir (ou seduzir) pela teoria de meados do século XIX. São devotos do pensamento ultrapassado e “senhores da vitimização”. Sempre há uma conspiração que visa oprimi-los, ainda que a maior opressão vista na História tenha sido daqueles que aderiram ao marxismo (vide a URSS de Stalin, a Cuba de Fidel e a Venezuela de Hugo Chávez).

Pois bem. Segundo a leitura feita por Boaventura Sousa Santos, a candidatura de Marina Silva, que ameaça o projeto de poder do PT, é uma “armadilha” da direita. Para os marxistas, a direita é a posição política inconcebível. Não conseguem tolerar a ideia de democracia segundo a qual o diálogo entre opostos nos conduz a uma síntese que pode demonstrar o melhor caminho. Preferem a ditadura de esquerda, pois nela “eles” comandam.

Boaventura sustenta que não há como reproduzir o debate “esquerda X direita” como teria ocorrido em eleições anteriores no Brasil. Para ele, a candidatura de Aécio Neves é “de direita”, afirmação que ignora o pensamento da social democracia, cuja posição histórica é de “centro-esquerda”, realidade que os marxistas jamais admitirão.

Nesse sentido, Marina Silva seria uma candidata com cara “de esquerda” e propostas “de direita”. Ela representaria a “armadilha” da direita para voltar ao poder. Resta a dúvida: qual direita? Temos direita no Brasil? O policiamento ideológico oprime a direita atualmente. Parece-me que o debate político no Brasil é, no máximo, de “centro-esquerda”. Marina é extremamente próxima do velho PT e, quiçá, é mais petista do que Dilma. Além disso, a “armadilha” noticiada por Boaventura esbarra num fato imprevisível. Será que o referido professor imagina que a morte de Eduardo Campos foi planejada? Afinal, se Campos fosse o candidato, dificilmente a opinião do professor surgiria de maneira tão “clara”.

Infelizmente, na esteira do “genético esquema lógico da vitimização”, tão caro aos marxistas, a justificativa para atacar Aécio Neves se mostra considerá-lo “de direita”, ao passo que Marina Silva é a candidata com “cara de esquerda” e projetos “de direita”. Uma vez mais, os marxistas, puros ou não, optam pelo conhecido raciocínio da exclusão. Dividem entre “nós e eles”. Segundo esse modo de pensar, existe apenas um caminho correto: o deles. Os demais são demonstração de uma conspiração. São “senhores da razão” e “próceres da revolução”. São, em verdade, inimigos da democracia.

Se pensarmos bem, avaliando o governo atual, Dilma é “mais direita” do que Marina. Aécio é um caminho equilibrado entre extremos e, é claro, o que aparece de forma inquestionável, os marxistas continuam, eles sim, utilizando as falácias conhecidas desde a metade do século XIX. Já escrevi aqui e volto a insistir, o marxismo não é mais uma corrente de pensamento válida à solução dos problemas atuais. Prossegue, porém, como uma espécie de “religião”. A religião, segundo Marx, era o ópio do povo. O marxismo hodierno, porém, tornou-se o ópio das viúvas e órfãos do comunismo.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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