Por que a política atrai os jovens “média 3,0” e afasta os jovens “média 7,0”? Quero verdadeiros estudantes e não ignorantes usados por velhas raposas!

professor IEste é um (mais um!) “texto constatação”. Às vezes, noto que jovens se interessam pela política. Infelizmente, a maior parte é movida por professores que criam discípulos, na esteira de tudo aquilo que já escrevi neste blog em oportunidades anteriores a esta. O que me deixa bastante triste, porém, é constatar que a maior parte dos jovens envolvidos na política é formada por aqueles que não têm muita dedicação ao estudo. Há uma série de “replicadores” da opinião de seus “pseudomestres”.

Espero estar errado, mas essa situação me leva a pensar que os que realmente cumprem o papel de estudantes não se importam com a política. Não em razão de não terem competência para isso. Afinal, têm muito mais competência do que muitos daqueles que se dizem engajados. Creio que parte da apatia dos jovens “realmente estudantes”, deve-se, em grande medida, à desilusão que abraça a política e, também, à “participação intolerante” (militância burra!) desses menos instruídos.

Tive oportunidade de participar de movimentos políticos jovens ao longo da minha adolescência e início da fase adulta. Não é nada fácil! Para aqueles que compreendem o estudo como saída para um futuro melhor, é bastante complicado enfrentar a realidade de jovens que apenas se aproximam da política como forma de buscarem uma “boquinha”. A par disso, existe o radicalismo típico das mentes obscuras. Quem não estuda não conhece. Quem não conhece, defende ideias como se professasse uma religião.

É uma ingrata realidade saber que a discussão política prossegue pautada em argumentos antigos, baseados em ideologias pouco racionais e bastante emocionais de meados do século XIX, bastante avessas à democracia. É triste saber que os mesmos que falam sobre direitos humanos se colocam ao lado de regimes que simplesmente desconsideram esses mesmos direitos. O que fascina os jovens nessa opção pelo totalitário? Simples. Eles ainda acreditam no “espírito revolucionário” que alguns professores lhes ensinam. Eles não percebem, talvez por ingenuidade ou por falta de estudo, que o tal “espírito revolucionário” é a maior ameaça à democracia, o verdadeiro regime das liberdades.

Preciso encontrar um meio de trazer para o centro do debate político os jovens que prezam o estudo. No mais das vezes, assoberbados com jornadas de trabalho extenuantes e jornadas de estudo, não lhes resta tempo hábil à militância política. Isso nos impõe a militância radical, formada por jovens “pseudoidealistas” que apenas buscam manter viva a década de 60, durante a qual a liberdade parecia ter mais sentido. Ocorre, porém, que a dualidade de um mundo bipolar acabou e eles, avessos a estudos mais profundos, prosseguem nessa atmosfera morta, pois nela encontram a razão de sua “pseudorevolta”.

Os jovens que não têm preguiça de estudar e que acreditam no trabalho como forma de prosperar precisam ocupar o devido espaço na seara política. Durante o período em que participei de movimentos jovens, notei a clara imaturidade dos militantes e a enorme preocupação com cargos de liderança. Não queriam contribuir com a democracia. Queriam ocupar postos que lhes conferissem visibilidade para, como aqueles que tanto criticam, viverem “mamando nas tetas do governo”. O serviço público e o cargo político sempre foram e, ainda são, a “tábua de salvação” de alguns acomodados.

Estou e, sempre estarei, em busca de jovens estudiosos que não tenham receio de pensar o futuro. Cansei-me dos jovens que vivem de um passado maniqueísta. Cansei-me de jovens que apenas vislumbram sentido na política através de comportamentos radicais e, no mais das vezes, ilícitos. Cansei-me dos “mimados revolucionários” que contam com as benesses do capital e omitem esse fato quando questionam a vida de seus próprios pais. Cansei-me da hipocrisia advinda dessa mistura de juventude, “burrice orgulhosa” e rebeldia sem causa.

Durante minha carreira na docência, deparo-me com pessoas extremamente competentes que podem contribuir para a construção de um país melhor. Cidadãos moderados, racionais e dispostos à reflexão que não vislumbram o mundo como um jogo com apenas duas opções: nós e eles. A juventude militante precisa conhecer essa letargia que domina o mundo desde a década de 60. Letargia que não impede o radicalismo, mas que obsta discussões verdadeiramente atuais. Que nos aprisiona em ideias e ideais ultrapassados.

Se posso pedir algo aos jovens estudiosos aos quais dou aula, àqueles que têm média superior a 7,0, peço que não deixem de participar da política. Não permitam que esse campo tão importante à consolidação democrática fique nas mãos daqueles que ignoram a utilidade que aparentam às mentes maquiavélicas e a outros que buscam a política como forma de ocultar a própria mediocridade, a fim de viverem das benesses de cargos públicos, especialmente aqueles chamados “cargos em comissão”.

Quero contar com os melhores. Quero acabar com essa mediania ignorante que apenas atrapalha as relevantes discussões políticas. Quero que os velhos quadros políticos sejam substituídos por outros que, apesar de poderem encontrar espaço na iniciativa privada, compreendam a importância de oferecerem sua capacidade à Administração Pública. Quero, acima de tudo, meritocracia. As tenebrosas opções que se apresentam na política – especialmente em cargos para o legislativo – apenas terão fim quando indivíduos engajados e comprometidos com o estudo e com o trabalho encontrarem razões para participar do jogo democrático.

“É um desabafo, professor?” Sim, um sincero desabafo de alguém que conviveu e convive com pessoas que se orgulham da ignorância e que desprezam o valor do estudo e do trabalho!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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