O último debate do 1º turno entre os presidenciáveis

Aécio TancredoOntem acompanhamos o último debate do 1º turno das eleições presidenciais. Debate que teve regras bastante interessantes. Dois blocos com perguntas livres entre os candidatos, dois blocos com perguntas entre os candidatos com temas sorteados e um bloco final para a manifestação pessoal de cada um dos sete candidatos presentes ao encontro.

Todo e qualquer debate é saudável à democracia. O horário eleitoral se restringe à apresentação de programas de governo e às conhecidas críticas promovidas entre os candidatos. A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão se presta para a exposição de imagens construídas por marqueteiros. Não temos a real face dos candidatos, mas sim aquilo que foi detalhadamente preparado por especialistas em propaganda eleitoral.

O debate de ontem nos mostrou muito daquilo que devemos considerar na hora de escolher o candidato no qual votaremos. Dilma, Aécio Neves e Marina Silva são os três que apresentam condições de ganhar as eleições do ponto de vista das pesquisas eleitorais, as quais têm incorrido em equívocos ao longo das últimas eleições. Basta lembrar que Aloysio Nunes, vice na chapa de Aécio, tinha posição bastante difícil na última eleição ao Senado Federal e, computados os votos, sagrou-se o senador mais votado em São Paulo.

Entre os três nomes que aparecem com chances nas pesquisas, Aécio Neves, a meu ver e de acordo com a opinião de boa parte dos analistas políticos, foi o grande vencedor desse último debate. Ao contrário do que muitos tentam fazer crer, Aécio Neves tem claro programa de governo, elaborado por pessoas com alto grau de conhecimento em áreas específicas às quais foram designadas. O programa do senador mineiro é transparente, coeso e seguro. Revela-se um contraponto em face da imprevisibilidade das campanhas de Marina Silva e Dilma e, sobretudo, implica o afastamento do improviso que marca o governo petista.

Dilma e Marina Silva sempre levavam ao púlpito centenas de páginas nas quais se baseavam para responder às questões que lhe eram dirigidas. Aécio Neves prosseguia ao mesmo local sem qualquer anotação. Isso pode parecer pouco significativo àqueles menos atentos. Contudo, essa é a maior demonstração do preparo do senador mineiro. A experiência que Aécio Neves adquiriu ao longo de mandatos de deputado, governador e senador, confere-lhe a segurança necessária para tratar das questões nacionais.

Dilma é a construção de Lula que, como ele mesmo se vangloria, “revela-se o poste que ele conseguiu eleger”, assim como ocorreu com o prefeito Haddad em São Paulo. Marina Silva precisa das anotações, pois, tendo mudado de partido tantas vezes, deve ter dificuldade para sustentar as plataformas políticas do PSB. Para além disso, as duas candidatas revelam formação política bem menos substancial se comparada àquela representada por Aécio Neves.

Quanto aos candidatos nanicos, foi um show à parte. O baixo percentual de intenções de voto destinado à Levy Fidelix, Eduardo Jorge, Pastor Everaldo e Luciana Genro, leva os candidatos a se exporem da maneira como fizeram. Cidadãos menos politizados adoram o espetáculo! São formados no “pão e circo” e apreciam essa espécie de exposição. Na democracia, todas as ideias devem ser respeitadas. Porém, entre os nanicos, algumas posições radicais demonstram a falta de preparo que os atinge.

A Levy Fidelix destinaram a imagem de “homofóbico”, graças a constantes ataques de outros nanicos em redes sociais que utilizaram uma afirmação bastante infeliz do candidato no debate da TV Record. Pastor Everaldo manteve certa constância, mas terminou lembrando as bases religiosas que movem sua campanha, apesar de ter contribuído, decisivamente, para alertar o povo a respeito do autoritarismo proveniente da campanha de Dilma, com especial atenção ao recente escândalo dos Correios. Luciana Genro sagrou-se a “heroína” dos jovens da esquerda radical. Levou adiante o inflamado e intolerante discurso marxista, criticou o capital privado, a Rede Globo e, assim, acariciou os jovens “pseudorevolucionários”. Adotou a postura agressiva que apenas afasta o diálogo e não explicou a contradição claramente existente entre sua condição socioeconômica e aquilo que busca pregar.

Eduardo Jorge merece um parágrafo só para ele. Trata-se de um político que merece ser ouvido por quem quer que ganhe as eleições. Demonstra clareza em suas ideais, embora as exponha de maneira peculiar. Aborda temas polêmicos como o aborto e a legalização das drogas, mas não o faz de maneira infundada. Levanta questões e sugere aos três candidatos que aparecem em melhores posições nas pesquisas a avaliação da plataforma do PV. Em suma, dentre os nanicos, Eduardo Jorge foi o mais construtivo. Não se limitou ao espetáculo, exercendo importante papel com questionamentos que merecem atenção de qualquer futuro presidente da República.

Adeptos de Dilma e de Luciana Genro afirmam que Aécio Neves não teria respondido boa parte das questões. Essa conclusão se deve, principalmente, à maneira emocional como esses eleitores avaliam suas próprias candidatas. Afinal, Aécio Neves é bastante articulado, comedido e tem claras posições. Não entrega aos eleitores de Dilma e Luciana Genro, porém, aquilo que gostariam de ouvir, pois é bastante diferente das duas candidatas. Como boa parte dos eleitores de ambas as candidatas apenas têm ouvidos abertos àquilo que acham correto, preferem ignorar as respostas precisas de Aécio Neves. Repito: para alguns desses eleitores, apenas há resposta se ela estiver de acordo com suas próprias convicções.

Ao final de todas essas ponderações, resta-me bastante claro o preparo de Aécio Neves e a significativa competência e seriedade que demonstra ao abordar temas nacionais. Não se trata de um candidato sem passado ou com passado repleto de derrotas. Ao contrário, Aécio tem 30 anos de via pública, exerceu excelente papel na presidência da Câmara Federal e foi aprovado por 92% dos mineiros após dois admiráveis mandatos como governador de Minas Gerais.

Meu voto é de Aécio Neves. O debate apenas confirmou que o senador mineiro é o mais preparado. Todavia, àqueles que também se permitiram assistir ao debate de forma isenta, ainda que não tivessem escolhido Aécio, a qualidade do senador surgiu, acredito, de maneira clara. Mesmo amigos que não votarão em Aécio demonstraram apreço pela segurança e coerência de meu candidato. Os eleitores apaixonados – torcedores da política – jamais conseguirão admitir esse fato, tendo em vista as razões acima expostas.

Ao fim e ao cabo, devo alertar, uma vez mais, para a “pseudodemocracia” à qual Dilma pretende dar continuidade nos próximos 4 anos. A candidata, novamente, afirmou que deu autonomia ao Ministério Público e à Polícia Federal e não falou a verdade quando sustentou ter demitido o diretor da Petrobrás. Marina Silva, com sua tenebrosa mania de utilizar neologismos, não apresentou a segurança necessária nem trouxe clareza em suas propostas.

Por todas essas razões, a escolha deve ficar entre a democracia real proposta por Aécio Neves e baseada no respeito às instituições democráticas e a “pseudodemocracia” petista que se utiliza de boa parte dos expedientes autoritários de um passado obscuro do Brasil, no qual sindicatos se prestavam a realizar propaganda oficial do governo e empresas públicas eram usadas como cabides de emprego, em detrimento da eficiência. Entre essas opções, resta cristalino o dever de escolhermos Aécio Neves como o único capaz de promover o fim do ciclo vicioso do PT à frente da presidência da República.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Faculdade de Direito da Universidade Paulista, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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