A voz rouca da oposição…Fragilidade política, excesso de zelo ou interesses ocultos?

FHC impeachmentNão faço a linha do militante político, muito menos do indivíduo “incendiário”. Busco expor ideias de maneira equilibrada, ponderando elementos que interfiram no resultado da análise pretendida. Procuro me afastar da emoção e aproximar-me o máximo possível da razão. Não sou capaz, contudo, de compreender o motivo que faz o principal nome da oposição – Fernando Henrique Cardoso – ser tão “cauteloso” a ponto de ser quase omisso. O “tucanismo” está a meio caminho da omissão. Isso faz mal ao Brasil, bem como aos interesses da oposição, já que a maior parte da população brasileira passa a questionar se os oposicionistas estão realmente preocupados com o Brasil ou se apenas lhes resta cuidar de si mesmos.

A Folha de São Paulo (site UOL) traz algumas palavras de FHC a respeito do impeachment. É claro que devemos ser prudentes em relação a esse tema, não podemos, porém, ser omissos. FHC não chega a colocar o impeachment como “palavra proibida”, mas a todo momento demonstra enorme receio ao abordar o tema.

O governo apresenta enorme fragilidade e nem mesmo assim partidos da oposição mostram altivez para conduzir as apurações que podem levar ao impeachment de Dilma. Há alguns dias falei com um importante jornalista da área política. Ele foi bastante claro quando perguntei o que pensava sobre a posição de FHC: “sempre esteve e dificilmente sairá de cima do muro”.

FHC integra a ala dos políticos do “alto clero”. Faz o estilo daqueles que sempre estão bem com todo mundo. Basta lembrar que, talvez pensando viver em algum país como os EUA, manteve-se calado durante boa parte dos mandatos de Lula. Foi difícil FHC compreender que no Brasil a democracia tem outra dinâmica. Por aqui, o populismo é a arma dos descompromissados com a República. Através dele, tais senhores se perpetuam no poder. Eis a relevância do posicionamento crítico de políticos que já passaram pela presidência. FHC, todavia, parece ser “lord” demais para isso.

As recentes palavras do ex-presidente da República demonstram que, apesar de sua intelectualidade, está longe de compreender o “momento político” que vivemos. FHC se comporta na base do “deixa a vida me levar”, assim como boa parte de seus “sumos sacerdotes”. Parcela da “nata” tucana está mais preocupada com os efeitos de sua atuação do que com as consequências que a manutenção de Dilma pode acarretar ao país. Além disso, com exceção de alguns tucanos, parece que a maioria teme algo. O que temem não posso sequer imaginar.

Quando Aécio se reuniu com os líderes dos movimentos de rua, FHC foi direto ao sustentar que a oposição deve saber distinguir uma coisa da outra. Tenho opinião diversa. Penso que a oposição deve compreender o papel que o Brasil espera que ela desempenhe. Assim como todo texto deve ser lido em seu contexto, a política não se faz apenas de certezas. A certeza é importante, mas a coragem é ainda mais relevante. Esta última precisa da compreensão do momento político. Tal entendimento não se fará em estéreis reuniões acadêmicas regadas por vinho francês e entremeadas por versos da mesma origem.

O PSDB afirmou que dentro de duas semanas terá uma petição, baseada em parecer de Miguel Reale Junior, para fundamentar um pedido de impeachment. A petição deve ser assinada pelo Dep. Federal Carlos Sampaio, um dos poucos tucanos que têm a coragem de se expor nesse debate bastante sério.

Ao longo do mensalão, a oposição já demonstrou sua inércia. A voz dos opositores, que deveria gritar em prol dos interesses nacionais, parece estar acometida por forte e estranha rouquidão. Não se ouve tal voz. Ignoro se por fraqueza, por interesses ocultos ou por excesso de zelo – quem sabe ainda pior, de gentileza.

Observo, entristecido, que o Brasil corre um sério risco de se ver entregue à corrupção como instrumento do poder em virtude dessa lastimável omissão de muitos dos que integram a oposição, com especial atenção à frouxa posição adotado por FHC. Ouso afirmar que a base aliada – contrariada pelo governo – exerce papel de oposição mais expressivo do que aquele protagonizado pelos reais opositores. Nesse sentido, o papel de cada cidadão ganha enorme expressão. Precisamos nos unir em prol de algo que seja realmente efetivo.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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