Política: profissão, opção ou função?

Santo ColombaA política tem ocupado grande espaço no Brasil atual. Não podemos sustentar que a preocupação com a política receba o devido cuidado. No mais das vezes, encontramos opiniões desprovidas da reflexão que exigem. Há aqueles que simplesmente “atacam” tudo que se aproxime do campo político. Há outros que entendem a política como o futebol, reduzindo-a a um jogo maniqueísta que não leva a lugar nenhum. O que nos faz enorme falta são os que realmente procuram pensar o cenário político e eventuais saídas para a crise – institucional – que vivemos.

Tive oportunidade de escrever neste blog que a política costuma atrair os “jovens” menos compromissados com o estudo. Os “nota 3,0” adoram palpitar. Os “nota 10,0” estão mais preocupados com o próprio sucesso e, entendendo a política, acabam por nutrir enorme desilusão por aquilo que observam. O “ser” deprime os que entendem o “dever ser”.

Todos os leitores deste blog conhecem o apreço que tenho pela política. Acredito que ela se revela o âmbito de atuação da cidadania capaz de nos levar a um Brasil melhor. Porém, como a maioria lê a política? Procuro reduzir as hipóteses às seguintes situações: profissão, opção ou função.

Explico. Há quem veja na política um campo profissional. Vivem disso e, para tanto, fazem tudo que se fizer necessário – seja bom ou ruim – somente para “se manterem no jogo” (é a tal “mosca azul”).

Os que acreditam ser a política uma “opção”, optam por ela por não prestarem para nada. Eis o pior mal que pode existir. Indivíduos que não têm competência para encarar a concorrência do mercado de trabalho escolhem a política como “tábua de salvação”. São nomeados para cargos comissionados – afinal, jamais seriam aprovados em concurso público – por se mostrarem lacaios dos políticos profissionais. Integram esta categoria os conhecidos “puxa sacos” dos políticos profissionais. Conheço centenas! São pobres almas que se contentam com o “nome” atribuído ao cargo que ocupam. São “assessores especiais disso e daquilo”. Na estrutura republicana, porém, não representam nada, embora divulguem o cargo como forma de afastar a incompetência que deles emana. São os que, no futuro, receberão a função de “laranja” nos escândalos que abalam a Nação. A incompetência é perceptível após alguns minutos de conversa.

Por fim, há os que vislumbram na política o papel que ela deve ter na vida de todos que, com seriedade, pretendam desenvolver as atividades decorrentes do cargo no qual são investidos. Esses encaram a missão como verdadeira função. O político deve ter por essência servir a sociedade. Ele não busca o bem pessoal, ainda que isso possa decorrer da satisfação de prestar serviços à sociedade. Trata-se do sujeito vocacionado ao serviço público no sentido mais claro de trabalhar pelo bem comum. Respeita as instituições democráticas e tem no interesse público o próprio interesse.

Apesar de ser o último papel aquele que apresenta maior relevância, é ele o que encontra menor adesão. A maioria dos que se lançam na política é composta por indivíduos que se importam apenas consigo mesmos. Os profissionais têm competência, mas, na maior parte das vezes, não têm caráter. São “mentes do mal”. Os que não têm capacidade são soldados dos anteriores. Estão dispostos a servir a ideais particulares. Os políticos realmente “funcionais” estão em extinção!

Apesar desse cenário que pode parecer desolador, tenho a felicidade de contar com a amizade de pessoas que, mesmo fora da política, devotam parte de seu tempo à causa pública. Refletem sobre os temas relevantes e buscam auxiliar a condução do país por intermédio da influência conquistada através da competência demonstrada e reconhecida nas respectivas áreas de atuação. Esses são os verdadeiros patriotas! Fazem o que fazem por amor ao país! O trabalho que exercem não é remunerado, salvo se a remuneração for encarada como cumprimento do “dever de consciência” que os move.

Mais do que uma simples constatação, possível a qualquer indivíduo mediano, este texto se volta a conclamar os que entendem o exercício da política como função para integrarem o “jogo político”. Meus melhores alunos, por vezes, demonstram aversão à política em razão da presença das duas outras categorias desprezíveis. Contudo, devemos lembrar que se não nos engajarmos apenas os profissionais e os incompetentes se farão presentes. A mudança positiva de nossa Nação passa pelo engajamento de pessoas de bem. Assim, além de agradecer o apoio de amigos que sentam à mesa de um restaurante e debatem assuntos relevantes ao país, quero convidar todos que tenham a mesma preocupação para integrarem esse movimento. O Brasil deve ser conduzido pelos brasileiros de bem que, muito além de interesses pessoais, buscam o interesse público, o bem comum.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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