Lulopetismo: propaganda hipócrita

Lula ChavezNão é preciso lembrar que a política está cada vez mais reduzida à propaganda. Para ganhar uma eleição, marqueteiros valem mais do que candidatos. É cada vez mais comum oferecer o pretendente a cargo eletivo como “produto”, exagerando-se nas qualidades ou até mesmo mentindo a respeito daquelas que jamais fizeram parte de seu caráter. Seria um equívoco atribuir esse apreço à propaganda apenas a determinado seguimento da política nacional. Todos, em maior ou menor escala, aderem a esse modelo.

Sustentar, contudo, que a propaganda é a principal aliada dos políticos populistas e totalitários parece-me acertado. A História demonstra que Hitler na Alemanha nazista, Mussolini na Itália fascista e Vargas no Estado Novo, utilizaram-se da propaganda como forma de venderem a imagem de líderes que trabalhavam pelo e para o povo. A ditadura militar também era grande propagandista. O governo Médici cuidou de capitalizar – politicamente – com a vitória da Copa do Mundo de 70, trazendo para si toda a glória com a qual buscava revestir seus atos. O ufanismo tomou conta do país e o fator de maior identidade entre boa parte dos brasileiros – que desgraçadamente persiste até hoje – era o futebol.

O “lulopetismo” não se distingue em nada daquilo que Hitler, Mussolini, Vargas e a ditadura militar fizeram no passado. Os “companheiros” do fenômeno observado em nosso país são aqueles existentes nas republiquetas da América Latina, tais como: Venezuela, Bolívia e Cuba. Vivemos um período tenebroso da democracia brasileira. Tive oportunidade de publicar textos neste blog nos quais mencionei que nossa democracia corre grande risco nas mãos do megalomaníaco projeto de poder do PT. Hoje estou ainda mais convicto em relação a tal afirmação.

Ao contrário de seus precursores assassinos, o “lulopetismo”, assim como movimentos presentes nas citadas republiquetas latino-americanas, trabalha com a “desconstrução gradual” de instituições e conceitos basilares à democracia. A isto denomino “corrosão homeopática” da democracia brasileira.

O “lulopetismo” é movimento que pode ser tudo, menos ingênuo. Lula e seu partido sempre souberam que a conquista e manutenção do poder deveriam passar pela propaganda ainda que esta fosse absolutamente hipócrita. Com efeito, o Lula que ganha a eleição em 2002 é o “Lulinha paz e amor”, com um empresário na condição de vice-presidente e com a convocação de um nome bastante conhecido dos banqueiros para ocupar a presidência do Banco Central.

Lula acenou à camada mais favorecida e entregou aos bancos percentual de lucro jamais visto. Tudo aquilo que o Lula de 1989 falava como sendo dogma de sua postura ideológica foi sendo esquecido. Até mesmo o Presidente Obama chegou a defini-lo como “O Cara”. Lula também enganou o líder da principal Nação das Américas.

Para além de favorecer a classe mais abastada, Lula construiu a imagem da qual Getúlio Vargas também se valeu no Estado Novo. O programa que começou como “Fome Zero” transformou-se no principal instrumento político de cooptação das classes menos favorecidas. O “Bolsa Família”, cuja intenção principal é benéfica, serviu a intentos bastante deletérios às bases democráticas. O programa de bolsas e benefícios sociais fez do “lulopetismo” uma espécie de movimento messiânico. Em determinados momentos, não havia argumento racional que pudesse abrir os olhos da massa manipulada pelo dever governamental travestido de favor do “novo pai dos pobres”.

Todos esses atos foram objeto de maciça publicidade. Assim como a eterna afirmação de que, se Lula chegou à presidência, todos os brasileiros podem lá chegar. Lula tornou-se o homem que, tendo sido menino pobre, “venceu na vida”. Pergunto: venceu? Neste país em que um cargo vale mais do que o caráter de seu ocupante Lula pode ter vencido. Contudo, em países onde se pergunta “quem você pensa que é” e não “sabe com quem você está falando”, a trajetória de Lula, a avaliação de sua vida pessoal, apenas levantariam dúvidas a respeito de seu caráter.

Quando o “lulopetismo” fala da vida pregressa de Lula apenas veicula o perfil “heroico” do pobre sindicalista, assim como quando Lula elogia e se compara a Getúlio Vargas. A verdade, porém, é bastante distinta. Lula é um “animal político” – na linha de grandes políticos da história. Ser um “animal político”, porém, não significa ser um político do bem. Como “animal político”, Lula soube se valer da propaganda hipócrita que marcou os principais governos totalitários. Exerceu dois mandatos “batendo e assoprando”, mas, especialmente, calando toda e qualquer crítica com a veiculação de uma imagem que sempre o afastou dos grandes escândalos e dos questionáveis atos de sua vida pregressa.

A partir dos fatos envolvendo o PT em tenebrosas transações deletérias à República e à democracia, parte da população notou que foi alvo de propaganda enganosa e abusiva. Enganosa pois baseada em qualidade que Lula jamais teve, bem como em vícios sempre ocultados. Abusiva em virtude de ter sido implementada com a deturpação dos fatos, criando um mundo de opressores e oprimidos no qual Lula defendia estes últimos.

Notícias do último final de semana (25-26/04/15) apresentam indícios de uma série de irregularidades envolvendo o ex-presidente. Assim como Collor teve o “Jardim da Dinda”, Lula parece ter o “Sítio de Atibaia”. Se o empreiteiro envolvido neste último escândalo se dispuser a colaborar com a elucidação dos fatos, penso que o Lula da propaganda perderá lugar para o Lula da realidade.

Emergirá o Lula cujo filho teve estupendo e misterioso sucesso empresarial a ponto de viver em imóveis que custam milhões de reais. Será apresentado à população o Lula que, dirigente de sindicato, fazia greves de trabalhadores, inclusive de professores, enquanto seu filho contava com bolsa nos melhores colégios particulares (conforme narrado por Reinaldo Azevedo na edição de hoje do Jornal da Manhã da Rádio Jovem Pan). Virá à tona o Lula que, conforme vídeo em que o próprio aparece reconhecendo – em meio a risadas – “seus feitos”, mentia sobre fatos e sobre números apenas para obter a projeção que pretendia.

Em suma, se nossas instituições não se acovardarem, conheceremos o verdadeiro Lula. A depender do que nos for apresentado, daremos valor à obra de Maria de Andrade. Lembraremos de Macunaíma. Afinal, a personagem da obra é retratada como “o herói sem nenhum caráter”. Quem sabe daremos razão à Mário de Andrade. Quem sabe compreendamos que vale mais o caráter à publicidade pessoal. Quem sabe nos tornemos uma Nação na qual se pergunte “quem você pensa que é” e não mais “sabe com quem você está falando”. Quem sabe….

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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2 Respostas

  1. Mestre Luis Fernando, é uma enorme honra e benesse ler seus textos, conhecer suas idéias, humanistas acima de tudo, suas preocupações e dedicações evolutivas, díspares de tudo que se assiste, lê e ouve, até porque temos neste País milhões de reclamantes que o são apenas pela “inveja” (preta mesmo) que lhes incendeia o desejo de serem estes os ocupantes dos cargos políticos onde se deleitam materialmente, mas se enlameiam moralmente, a esmagadora maioria dos políticos deste País. Infelizmente, a doença que acomete este País, ultrapassou o tempo em que um tratamento fosse sensível o suficiente para reverter o quadro maligno, esgotou-se e ignorou-se esse tempo, e agora José, somente uma ectomia total poderá salvar o paciente de maior fatalidade, e ainda assim, com um sofrível pós-operatório. Mas com a certeza de que a estirpe deste valo de lama, ficará no passado distante num futuro fugaz, onde pessoas como você estarão desenhando um cenário sereno, harmonioso, cristalino e colorido . Bem haja você, Luis Fernando Prudente do Amaral (preste atenção aos detalhes) .

    • Caro José Carlos,
      Agradeço suas palavras! São depoimentos como o que registrou neste blog que me fazem prosseguir. Muitos falam, mas pouco sabem, verdadeiramente, o valor da liberdade. Eis o motivo pelo qual devemos lutar! Ética e Liberdade são os pilares daquilo que homens de bem perseguem em suas vidas. Forte abraço

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