O espírito de Goffredo da Silva Telles Júnior está vivo e ocupou o “Páteo das Arcadas” na noite de 15.05.2015! Os intolerantes não calaram as vozes dos reais democratas!

150515 HOM GOFFREDO TELLES JUNIOR 138A noite de 15.05.2015 já entrou para a História Brasileira. A Faculdade de Direito do Largo São Francisco foi o cenário para a homenagem ao centenário de nascimento do Prof. Goffredo da Silva Telles Júnior. Para aqueles que conhecem minimamente a trajetória da democracia brasileira, seria desnecessário lembrar que o Prof. Goffredo foi seu maior defensor. A vida desse professor foi pautada pela ética e pela legalidade.

As homenagens tiveram início no Salão Nobre da Faculdade, da “velha Academia do Largo de São Francisco”. Renomados operadores do direito estiveram presentes, assim como a viúva e a filha (Dra. Olivia) do referido professor. Mentes iluminadas como a do Prof. Celso Lafer e a do advogado José Carlos Dias ocuparam a tribuna para celebrar esse momento. A celebração se dirigia, essencialmente, aos pilares do regime democrático, um regime de tolerância que dá voz a todas as linhas de pensamento.

Enquanto o Dr. José Carlos Dias, ocupava a tribuna, começou-se a ouvir o manifesto das ruas. Ao longo da oração do referido advogado, gritos passaram a ocupar o espaço do salão nobre. Em pouco tempo, o “Páteo das Arcadas” foi tomado por manifestantes. Quem eram? Diziam-se “professores” e procuravam o governador. Afirmavam que os professores haviam chegado às Arcadas, mas, de maneira bastante ignorante, desconheciam que a homenagem que ali ocorria se dirigia a um paradigma da docência, exemplo maior de “MESTRE”. Infelizmente, o movimento politicamente organizado e dirigido tentou, em vão, admoestar a memória de Goffredo da Silva Telles Júnior. Deviam ter ouvido – expressão primeira do aprendizado – a fim de saberem do que se tratava.

Ao terminar sua magnífica exposição, o Dr. José Carlos Dias, em petição oral e pública, pediu ao Diretor da Faculdade  que a cerimônia tivesse seguimento no “Páteo das Arcadas”, por ser ele símbolo e cenário da luta em prol da democracia na Capital do Estado de São Paulo.

Eugênio Bucci, ex-presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto (1984), tentou explicar aos manifestantes que ali se homenageava o professor que tornou possível o direito de manifestação. Apesar de sua veemência, seus reclames não contiveram a multidão! A pequena parcela de docentes que ali se concentrou apenas serviu para empunhar bandeiras de partidos políticos da extrema esquerda que jamais tiveram e que jamais terão apreço pelo regime das liberdades, pelo regime democrático. São braços do velho totalitarismo stalinista que não aceitam o valor da democracia e da liberdade. O “modus operandi” conhecido é apenas a truculência.

Terminada a homenagem no salão nobre, todos seguiram ao “Páteo das Arcadas”. Democratas e “pseudodemocratas” estiveram lado a lado. Representados pelo Ministro Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, os democratas levantaram a voz em prol da democracia, da ética, do combate à corrupção e da decência. Os “pseudodemocratas”, muitos dos quais travestidos de professores, preferiram a posição contrária à civilidade. Tocando seus tambores não pediram sequer a palavra, embora lhes tenha sido oferecida. A intenção era, deliberadamente, sabotar a homenagem e o reclame em prol de um país melhor, com mais decência. Eram enviados dos partidos que pregam a opressão! Dos partidos que corroem as instituições democráticas!

Tais indivíduos, “autoproclamando-se professores”, desconheciam, contudo, o valor e a garra dos homens de bem. Não leram a História Nacional! Tentaram calar a voz de alguém que jamais se calará. Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, um dos maiores defensores da democracia brasileira desde os tenebrosos anos da ditadura militar, proferiu seu discurso até o final. Clamou por decência e afirmou, por diversas vezes, que o fazia em nome de todos que ali estavam. Lembrou que as vozes do Largo São Francisco não se calaram sequer sob a o regime de exceção. Afirmou que os tambores de hoje apenas estavam garantidos pelas vidas, franciscanas ou não, que tombaram em prol do regime democrático.

A voz de Flávio Flores da Cunha Bierrenbach silenciou o grito truculento de alguns indivíduos que têm a petulância de se “autoproclamarem professores” sem demonstrar uma gota de educação. O orador honrou a memória de Goffredo, enquanto os tais “professores” tentavam calar sua voz. O espírito do Prof. Goffredo está vivo nas Arcadas e no Brasil! Já a legitimidade da APEOESP, que emprestou sua bandeira a esse fato, restou ultrajada pela atitude de parte dos manifestantes que, sendo ou não professores, atuaram como intolerantes totalitários.

Após o pronunciamento de Flores da Cunha, Juca de Oliveira, ator e antigo aluno da Faculdade de Direito da USP, leu trechos da Carta aos Brasileiros protagonizada pelo Prof. Goffredo em agosto de 1977. Em que pese o fato de estar aturdido por uma manifestação bárbara de docentes, Juca, ao lado de Flores da Cunha, não permitiu que calassem sua voz.

O que restou de toda essa equação? Simples. Restou claro que os movimentos sociais são conduzidos por pautas político-partidárias, enquanto os reais democratas prosseguem com um discurso claro e veemente em prol da democracia e da liberdade. Restou a realidade no sentido de que movimentos sociais vendem suas pautas às bandeiras partidárias, enquanto os democratas seguem com seus inabaláveis ideais. Restou a “saída à francesa” de políticos como Haddad – prefeito de São Paulo e ex-aluno da referida Faculdade – e Eduardo Suplicy, atual secretário do município de São Paulo e ex-senador pelo Estado de São Paulo, ambos acompanhados por outros que se acovardaram ou por homens que, apesar de serem homens de bem, não estavam firmes o bastante para demonstrarem a coragem dos que lá permaneceram.

Flávio Flores da Cunha Bierrenbach deu uma lição a todos. Demonstrou que, no regime democrático, as diferenças são uma realidade. Afirmou o direito de manifestação, mas não se permitiu calar por manifestantes partidarizados. A presença dos manifestantes – ainda que muitos tenham permanecido para ouvir, de maneira civilizada, a palavra de Flores da Cunha – apresentou a triste realidade nacional que divide o país entre “nós e eles”. Se aquilo que lá esteve se autoproclama docência, temo pelo futuro do país, ainda que parte significativa tenha ouvido as importantes palavras do orador.

A APEOESP, por intermédio de sua clara vinculação partidária, deu a maior demonstração de que o intolerável reside nos intolerantes. Tentou, sem sucesso, calar um discurso político, mas apartidário. É triste saber que professores se comportam desse modo. Mas é gratificante encontrar alguém como Flávio Flores da Cunha Bierrenbach que, instado a se manifestar em prol da democracia, não se acovardou.

A vida é feita por homens de bem. Alguns homens de bem demonstram receio. O remédio para isso é apresentado através dos homens de bem e de coragem. Pessoas que não se preocupam consigo mesmas, mas sim com ideais plurais e coletivos. Flávio Flores da Cunha Bierrenbach deu uma lição a todos que presenciaram esse histórico instante da vida política nacional. Afinal, enquanto muitos temem e se omitem, há cidadãos honrados dispostos a defender pautas sérias e relevantes ao futuro do Brasil.150515 HOM GOFFREDO TELLES JUNIOR 339

“A soma e o resto?” Enquanto a oposição se omite, homens de bem e de coragem levantam suas vozes. Flores da Cunha se uniu aos jovens que, ao seu lado, organizaram a segunda parte do evento e demonstrou-se o farol que dirige as naus – antes à deriva – que agora miram a terra firme da ética e da democracia! O brilho nos olhos do orador é capaz de manter viva a chama democrática! Vida longa a Flávio Flores da Cunha Bierrenbach!

Estamos com Bierrenbach! Decência, Já!

PS.: Aos omissos, devo afirmar que é tempo de se unirem aos homens de coragem. Não se calem em face daquilo que aí está! É hora de lutar, assim como, pela voz do Prof. Goffredo da SIlva Telles Júnior, muitos lutaram pelo Estado de Direito em 1977 com a leitura da “Carta aos Brasileiros”. Basta de covardes e de vendidos! O muro está repleto de indivíduos que não tomam posição. Assim, posicionem-se!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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