Sugerir que o PSDB tendo Aécio Neves como presidente está pior é ignorar a história recente do partido!

Aécio Neves Luiz AmaralEscrevi em meu último texto que Alberto Goldman, ao abrir “fogo amigo” – ou nem tanto – contra o presidente do PSDB, apenas demonstrou do que é capaz a “inveja masculina”. Já explanei neste blog a respeito da “fogueira de vaidades” que existe entre os intelectuais do PSDB. Com a morte de líderes reais como Mário Covas e Montoro, o partido se apoiou, essencialmente, em FHC e José Serra.

Ouso afirmar que nenhum dos dois pode ser comparado a Covas e a Montoro sob a perspectiva programática e, sobretudo, política. Em grande medida, ambos ocupam espaço considerável no “muro da política nacional”. A maior prova disso é a inércia que o PSDB demonstrou ao longo dos governos Lula. A sigla não soube trabalhar bem os fatos aterradores. Fosse o PT a oposição do período e não teria restado “pedra sobre pedra”. Opor-se é da essência do PT. Opõe-se até mesmo aos fatos devidamente provados.

Quando Aécio Neves foi alçado ao posto de presidente do PSDB, a sigla passou por uma mudança significativa. O pragmatismo político de Aécio está longe de poder ser comparado com o eterno “banho-maria” em que se colocam FHC e José Serra. Este chegou a ter alguns repentes de radicalismo. Chegou a “abraçar” teses de líderes religiosos, jogando as chances de sua vitória para níveis baixíssimos. Não ignoro o preparo acadêmico de FHC e José Serra, mas sei que boa parte do ostracismo vivido pelo PSDB se deve à conhecida postura política desses “caciques tucanos”.

A presidência de Aécio representa uma mudança nesse estado de coisas. O político mineiro não está mais preso às amarras paulistas dos tucanos. Aécio tem tudo para levar o PSDB ao protagonismo que já teve e que tem enorme oportunidade de recuperar. Essa situação, contudo, parece ferir a “vaidade” de alguns tucanos célebres da Capital paulista. A “carta aberta” de Alberto Goldman é demonstração cristalina desse fato. Aécio representa renovação que, na maior parte das vezes, é calada pelos partidos nacionais. São sempre os mesmos! A democracia interna está cada vez mais escassa.

Se a velha cúpula tucana de São Paulo critica o exercício da presidência do PSDB por Aécio Neves, não o faz por acreditar que o mineiro seja despreparado, mas sim por ter perdido grande parte da influência que sempre teve na condução da sigla. “Metendo os pés pelas mãos”, alguns insatisfeitos partem para o fatricídio. As críticas a Aécio não são “puras”. Ao contrário, demonstram-se influenciadas pelo afastamento que os “caciques” em questão se “auto-impuseram” a partir da eleição do senador de MG à presidência do partido.

Pensemos, ainda que seja bastante evidente, se a condução do PSDB nacional nas mãos dos paulistas era melhor do que a exercida por Aécio Neves. Para isso, basta verificar se em alguma outra candidatura do PSDB à presidência milhões de cidadãos foram às ruas manifestar sua preferência. Jamais o PSDB conseguiu tamanha capilaridade na sociedade civil. O estéril academicismo de alguns “tucanos clássicos” e a excessiva vaidade de quase todos, sempre implicaram um enorme distanciamento entre o partido e o povo.

Estive presente nas manifestações, durante o período eleitoral, que apoiavam a candidatura de Aécio Neves. Muitos eleitores tucanos me confidenciaram que, desde a redemocratização, jamais haviam se deparado com apoio tão ostensivo de todas as camadas da sociedade. Até mesmo os integrantes da classe média, média alta e propriamente alta se reuniram na Avenida Faria Lima em São Paulo dias antes do segundo turno. Era improvável que algo de tal magnitude ocorresse. Mas Aécio Neves conseguiu mobilizar todo esse povo que já não mais acreditava na política. E tem mais…Não foram apenas os da “elite branca” – se é que ela existe – que votaram em Aécio. Afinal, mais de 50 milhões de votos está longe de poder ser reduzido às classes mais altas da população. Fossem apenas elas as eleitoras de Aécio e ele teria ficado no primeiro turno.

Há algumas semanas escrevi textos nos quais critico a omissão da oposição. Afirmei, inclusive, que gostaria de ver Aécio Neves mais aguerrido em suas posições. Contudo, devo afirmar que a postura do senador mineiro está muito além daquela que observei ao tempo em que o PSDB era presidido ou altamente influenciado pelos tucanos de São Paulo. A renovação geracional e comportamental na presidência do PSDB representou enorme fôlego aos tucanos. Aécio tem a capacidade e o carisma que há muito tempo não via em um presidente do PSDB.

Assim, apesar de ser natural de São Paulo, devo asseverar que o PSDB de Aécio Neves supera e muito aquele que observei ao longo dos governos Lula. Reconheço, ainda, que não deve ser fácil presidir o “partido dos intelectuais”. A fogueira de vaidades em que se consubstancia o PSDB deve dar bastante trabalho a Aécio Neves. Todavia, estou certo de que ele saberá conduzir com brilhantismo sua presidência e recuperar, acima de tudo, o caráter nacional da Social Democracia Brasileira.

Se a oposição se faz absolutamente necessária, devemos lembrar que também há de ser nacional e não regional. Assim, enquanto alguns “tucanos paulistas” choram o “pseudo-ostracismo” por terem optado pela omissão, Aécio seguirá à frente dessa luta que cabe a todos os brasileiros. A habilidade há de vencer a vaidade! A oposição precisa disso e Aécio é o nome certo para liderar essa empreitada!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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