7 X 1 para a Alemanha? Antes fosse esse o único motivo para sentirmos vergonha!

7 X 1A Copa no Brasil ocorreu em 2014, apesar de diversas críticas. Pude expor parte das minhas objeções neste blog. As principais se referem ao fato de, apesar da absoluta precariedade dos serviços públicos no Brasil, o financiamento público para obras da Copa “ter andado solto”. Além disso, as licitações foram cada vez mais “estranhas”, quando não se fizeram ausentes. Empreiteiras foram acusadas ao longo da construção das obras e políticos acabaram envolvidos mesmo antes do evento.

Durante a Copa, fomos tomados pelo “patriotismo de ocasião”. Torcemos por nossa seleção. Eu também torci. Apesar de apresentar todas as críticas à época do evento, vibrei com as vitórias da seleção. Assim como a maior parte dos brasileiros, senti a derrota por 7 X 1 para a Alemanha, bem como verifiquei o despreparo emocional da maior parte do elenco brasileiro. O afastamento de Neymar derrubou toda a seleção. Tal fato demonstra que não havia o necessário preparo. Como sempre, confiamos demais no ditado “Deus é brasileiro”!

Mas a derrota é passado, apesar de restar indelével na memória dos brasileiros. Antes fosse esse o episódio mais vergonhoso envolvendo o futebol brasileiro. O que nos deve preocupar são as denúncias que envolvem a “cúpula” do esporte em nosso país. FIFA e CBF seguem sendo investigadas e, dia após dia, ficam cada vez mais claras as reais intenções dos dirigente e políticos diretamente envolvidos com o “mundo da bola”. Felizmente, alguns ainda se mostram indignados. Romário é o principal entre esses.

Segundo as notícias, Marin, ex-presidente da CBF, foi preso na Suíça a partir de sólidos elementos de seu envolvimento em escândalos de corrupção. Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF, apesar de afirmar que nunca soube de nada, parece ter aprovado as contas da gestão de Marin, fato que pode implicar consequências. Antes de tudo isso, devemos lembrar das gestões de Ricardo Teixeira e dos eventos, já conhecidos no Brasil, envolvendo cartolas de clubes nacionais.

Enquanto o “cidadão-torcedor” gasta o que tem e o que não tem para acompanhar nos estádios as partidas de seu time do coração, os “srs. da bola” fazem suas negociatas. Utilizam o esporte como mercadoria para a prática de atos criminosos e, ainda pior, apoiam-se na paixão de pobres torcedores que financiam essa festa, envolvidos pela paixão e desprovidos da capacidade de analisar as cifras que o futebol gera, bem como os esquemas que propicia.

Hoje, os principais jornais apontam que até mesmo o dirigente da FIFA que “passou um pito” no Brasil em razão dos atrasos nas obras sabia das transações. A FIFA foi recebida no Brasil como “rainha”. Obteve isenções tributárias da ordem de bilhões de reais. Conseguiu alterar a ordem jurídica por meio da aprovação da “Lei Geral da Copa”. “Fez e desfez da soberania nacional”. Por pouco menos de 30 dias, o Brasil era o “país da Copa” e, claro, o país da FIFA. Por alguns anos, contudo, e sem a ajuda da FIFA, o Estado brasileiro pagará a conta deixada pelo evento e enfrentará vergonha maior do que a derrota para a Alemanha. Nosso país restará estampado em manchetes de jornais por todo o mundo como um país no qual a corrupção reina sozinha. Se isso já é ruim “no plano doméstico”, imaginem quando toma o âmbito internacional…

Como sempre digo, seria boa a descontração natural aos brasileiros se, em momentos decisivos como na realização de eventos como a Copa, agíssemos de maneira séria, competente, proba. A “cordialidade” – em seu pior sentido – prevaleceu em todos esses fatos. Os gringos vieram, apoiados por brasileiros, fizeram o que bem entenderam e foram embora com alguns milhões a mais no bolso. Proporcionamos a Copa mais lucrativa: para eles! Enquanto isso, a saúde, a educação e as contas públicas brasileiras seguem abandonadas. Nossa vocação para colônia se mostra ainda presente! Somos o país do “sabe com quem está falando”. Enquanto assim prosseguir, dificilmente seremos campeões em áreas que realmente importam a uma Nação.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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