O PT pedindo “juízo” em rede nacional? Só pode ser piada…

7 X 1O programa do Partido dos Trabalhadores foi ao ar na noite de ontem (06.08.15) em cadeia nacional de televisão. Apesar do “mea culpa” feito por alguns de seus integrantes ao longo desta semana, o partido não teve a grandeza de reconhecer os inúmeros equívocos praticados ao longo dos 12 anos à frente do Executivo Federal. A mensagem nem sequer passou perto de abordar os escândalos de corrupção que assolam o próprio partido e seus aliados.

Vimos, novamente, “o país do faz de conta”. Por mais que, pela primeira vez, a crise econômica tenha sido abordada, não houve qualquer gesto no sentido de buscar, como o discurso de parte dos integrantes petista pretendia, a união nacional. Como pensar em unir o país quando a pauta se dirige a atacar a oposição, afirmando que ela é composta por políticos que apenas pensam em si mesmos? Como admitir essa provocação provinda de um partido que se coloca acima dos interesses nacionais? A oposição tem sido bastante tímida. A meu ver, o PT não passou por um quinto da pressão que faria se estivesse nessa condição.

Mas não foi só isso. A insensibilidade do partido para ouvir as vozes da população surgiu de forma bastante evidente. As legítimas manifestações populares, denominadas “panelaços”, foram ironizadas. Rui Falcão, dirigente da sigla, ousou pedir “juízo” aos opositores. Juízo? Se o PT tivesse juízo não teria divulgado propaganda tão mentirosa e contrária à união nacional. Se a oposição tiver juízo, tendo em vista a impopularidade do atual governo, deverá prosseguir ao lado do povo em busca dos mecanismos legais e políticos para retirar Dilma do cargo que ocupa.

Há notícias no sentido de que a “carta renúncia” da presidente está redigida. Confesso que não acredito. A teimosia de Dilma não se apresenta compatível com uma atitude como essa. Ela não tem compreensão política necessária para saber que seu partido e ela em si são muito menores do que o futuro nacional. Seria louvável a renúncia! Mas, repito, não penso que a atitude esteja dentre os caminhos admitidos pela presidente.

O parlamento prossegue com suas atividades, assim como a Polícia e a Justiça. Enquanto perdurarem a crise econômica e a crise política, o Brasil não sairá da lama em que se encontra. A arrogância do governo impede qualquer espécie de reaproximação até mesmo em relação aos partidos da base que, ontem, ficou ainda mais esvaziada. Nem mesmo os parlamentares do PT votam de acordo com os interesses do governo. Ainda assim, o programa passou a mensagem de que a estabilidade depende do cidadão. Não! Eis mais uma mentira!

As crises que vivemos – econômica e política – se devem exclusivamente ao governo. Incompetência, arrogância e corrupção são as verdadeiras marcas dos governos Lula e Dilma. Não é possível socorrer o país se a presidente prosseguir no cargo. Com mais de 70% de reprovação popular, o maior golpe que o país pode sofrer é a permanência de Dilma na presidência. Collor, em condições bem mais modestas e com impopularidade menor, renunciou ao mandato.

Agosto é um mês bastante simbólico para a política brasileira. Para citar apenas um exemplo, foi esse o mês, em 1954, no qual Getúlio Vargas, ditador, populista e demagogo, optou pelo suicídio para se salvar da crise. Agosto de 2015 começou com nova etapa da operação Lava Jato que culminou na prisão de José Dirceu, um dos maiores ideólogos do governo atual. Nunca o Brasil se viu jogado em casos de corrupção que se mostram institucionalizados. A corrupção foi alçada, pelo governo petista, em forma de alcançar e manter o poder.

No próximo dia 16 as ruas serão tomadas pela sociedade civil. Ao contrário das manifestações anteriores, a impopularidade de Dilma se apresenta de maneira uniforme na maior parte dos Estados brasileiros. A falência dos programas sociais e a alta da inflação corroem a esperança das classes menos favorecidas. O brasileiro já sente os efeitos da crise nas visitas que faz aos supermercados. Eis os fatores essenciais à insatisfação que as pesquisas demonstram.

Não dá para prever o que o futuro nos reserva. É certo, porém, que a manutenção da presidente apenas arrastará, por longos meses, as crises que vivemos. Avaliar o presente impõe reconhecer a irresponsabilidade dos governos Lula e Dilma. Colhemos os frutos podres de uma administração comprometida com interesses partidários e desvinculada dos grandes interesses nacionais. Vivemos um momento no qual a cegueira ideológica se apresenta como o maior perigo para o país. A cidadania fará sua parte e espera que os partidos de oposição façam a sua. Que Deus abençoe o futuro do Brasil!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, associado ao Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM e à Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação – ANDHEP, autor de livros e artigos jurídicos, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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