Haddad: teoria e prática

HaddadLogo que o prefeito de São Paulo foi eleito, confesso que tinha esperança de que fizesse um governo diferente. Uma gestão voltada ao desenvolvimento da cidadania na cidade de São Paulo. Há bons quadros na administração municipal. Conheço muita gente que foi escolhida pelo preparo e não simplesmente pela indicação política. Esse ideal, porém, parece ter ficado para trás.

A esperança que nutria, contudo, foi diminuindo a cada novo dia do governo Haddad. O título deste breve texto busca demonstrar as razões de minha desilusão. Os mais polêmicos programas da gestão Haddad não são programas ruins. A grande questão reside na péssima execução e na incapacidade de realizar a devida comunicação daquilo que pretende realizar. Haddad é mais um teórico de esquerda com enormes dificuldades quanto à execução. Parece poder ter sucesso apenas em “condições ideais de temperatura e pressão”. Fora do “laboratório” se mostra desastroso!

Para focar apenas 4 dos principais programas da gestão municipal em São Paulo, indico: as ciclovias, as faixas exclusivas para ônibus, a redução da velocidade e o fechamento de vias públicas para o lazer aos finais de semana. Os três primeiros programas apontados estão ligados à mobilidade urbana e à segurança no trânsito. O último resta atrelado ao desenvolvimento da cidadania através do convívio social, algo que defendo desde sempre.

Apresentados de maneira teórica, não teria nada para falar mal das iniciativas. Seria como falar mal da boa-fé “em tese”. Ninguém é contra a boa-fé, assim como não penso que devamos ser contra os programas em si mesmos. A grande incompetência do governo municipal reside na execução. Haddad não é um bom executivo e seu secretário dos transportes não é ruim apenas nisso. Todas as medidas elencadas estão vinculadas à tal secretaria, ocupada por petista da cota pessoal de Lula e de tantos outros membros da cúpula do PT.

Alguém acredita que os programas acima mencionados foi ou está sendo bem executado? As ciclovias foram implantadas sem o devido planejamento, colocando em risco a vida dos ciclistas, muitos dos quais mortos no trânsito. O custo das ciclovias é uma incógnita. As faixas exclusivas de ônibus seguiram a mesma “lógica, ilógica”. Parece que a administração quer rivalizar com os paulistanos, impondo os programas sem a devida reflexão e sem o merecido preparo social. A redução das velocidades representa outro ponto polêmico. Nas Marginais, a velocidade nas vias locais é de 50 KM/h, na Av. Santo Amaro ou na Av. Brasil, podemos “pisar” até os 60 KM/h. Isso é planejamento ou é afronta?

Por fim, temos os programas relativos ao fechamento de vias públicas nos finais de semana. Isso existe em outras cidades brasileiras. A orla do Rio de Janeiro conta com medida semelhante. Mas fechar a Av. Paulista, via repleta de hospitais em sua região, com dois grandes parques está, no mínimo, fora daquilo que a lógica pede. Áreas da periferia que não contam com aparelhos públicos para o convívio social não estão incluídas no programa em questão ou, se incluídas, não contam com o mesmo empenho.

Essas características demonstram a clara vocação do prefeito paulistano à “provocação social”. A criação dos factoides foi a opção adotada pela gestão Haddad. A comunicação social das medidas é péssima, assim como a “pseudoabertura” que a atual gestão confere à participação dos munícipes. Haddad parece jogar para uma plateia diminuta e barulhenta. Adere à “esquerda festiva”, negligenciando programas absolutamente legítimos. Mantém à frente da secretaria de transportes uma pessoa que não tem a menor capacidade de implementar as medidas que tem implantado.

Ao lado de todos esses fatores, os jornais noticiam que Haddad pretende abandonar o PT e se filiar à REDE. Se este último partido seguir os passos que tem demonstrado, tornar-se-á um “novo PT”. O PT dos dissidentes! Será mesmo que Haddad é ingênuo a ponto de acreditar que a mudança de partido o tornará alguém mais capaz? Sua incompetência não está atrelada ao seu partido, mas sim à sua pessoa. Bem intencionado? Talvez…Mas um péssimo executivo!

A cidade de São Paulo está em maus lençóis. Difícil admitir o flerte entre REDE e Haddad como algo positivo. Há oportunismo de ambos os lados. A “nova política” pregada por Marina Silva se curva às “velhas práticas” daquilo que tanto criticou. O novo partido parece se alinhar com aquilo que o PSD de Kassab apresentou quando de sua criação. Revela-se um “porto” para petistas envergonhados ou insatisfeitos. Uma pena!

Tenho diversos amigos filiados à REDE, gente muito boa e capaz. Admiro parte dos filiados ao PT. Não me alinho àqueles que simplesmente defendem a extinção do partido. Mas esperava mais de todos eles. Espero que o oportunismo eleitoral deixe de ser a tônica no futuro da REDE. É preciso autenticidade na política atual. Nenhum partido será capaz de, isoladamente, “salvar o país ou a cidade”. Um pouco de coerência não faz mal a ninguém!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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