FHC e Lula: amante, sítio, tríplex e antena de celular…Para os lulopetistas, confundir é salvar!

Lula tontoA intenção deste texto não é defender “a” ou “b”, mas apenas alertar para a ocorrência de uma antiga estratégia política, por meio da qual se busca “nivelar” os homens públicos como forma de amenizar os desmandos ou crimes praticados pelos autores de tal expediente. É claro que a questão que serve à presente reflexão diz respeito à recente entrevista da jornalista com quem Fernando Henrique Cardoso manteve relações extraconjugais. Além disso, a “estratégia niveladora” é cristalina no comportamento de alguns defensores do ex-presidente Lula quando buscam alçar o fato envolvendo FHC ao mesmo patamar daqueles atinentes ao sítio em Atibaia, ao tríplex no Guarujá, à clandestina antena de telecomunicação supostamente instalada para atender Lula etc.

O cenário atual da política nacional tem nos oferecido exemplos constantes desse expediente que busca “igualar o inigualável”. Desde a descoberta do mensalão, quando o PT deixou de ter aquela falsa imagem ética, filiados e simpatizantes tentam afirmar que o partido não é mais nem menos daquilo que sempre existiu na política brasileira. Aliás, Lula chegou a afirmar que o “caixa dois” é inerente às campanhas.

Quem não se deixa levar pela “paixão partidária” nota com enorme facilidade que a estratégia em questão serve apenas para estraçalhar o próprio PT. Trata-se de “suicídio partidário”! Explico. O partido foi do céu ao inferno. Era visto como uma sigla que prestigiava a ética – embora enganasse apenas parte da população – e, a partir das descobertas acima apontadas, passou a buscar uma equiparação com tudo aquilo que anteriormente rechaçava. Vejam o grau de desespero. A ética era sua bandeira e, de um instante para outro, já se dá por satisfeito se for equiparado a todos aqueles que recriminou durante sua trajetória.

Por que ser igual aos outros é a principal estratégia do PT atual? Simples. Se o partido admitir a realização de sincera autocrítica, terá que assumir que é exatamente o oposto daquilo que sempre pregou. Revela-se como o que há de mais antigo em matéria política. Baseia-se no populismo demagógico consagrado no lulopetismo e se vale como nenhum outro do clientelismo e do patrimonialismo. É especialista em traçar projetos de poder que isolam o interesse público e colocam no centro de todas as matrizes, inclusive da econômica, os objetivos partidários.

Há algum fenômeno, talvez um certo “inconsciente”, que faz com que o PT não busque reerguer-se nas bases e princípios do tempo de sua fundação. O “conto de fadas” caiu e a “princesa” – aqui entendida como Lula – é a mais cínica das madrastas. Nesse contexto, o PT sabe que seu presente destrói seu passado e que a retomada deste implicará a perda do futuro. Quanto mais tentar resgatar a ética, pior ficará a situação do partido. A forma escancarada por meio da qual implantou a corrupção como meio para a conquista e manutenção do poder inviabiliza tamanho cinismo.

Com as recentes descobertas da Lava Jato houve inegável prejuízo à figura do ex-presidente Lula. Este é e sempre será a “cara do PT”. Dotado de inegável habilidade política, acreditou que seguiria sua vida de maneira impune. Reconheceu – em vídeos que circulam na internet – que sempre mentiu ao longo de sua trajetória política. Inventava dados para instigar debates que favorecessem sua causa. É uma clara situação de amoralidade. Afinal, o imoral é contra uma moral estabelecida. O amoral é o que não é dotado de moral. O imoral sente vergonha, pois conhece a moral. O amoral vangloria-se de seus atos, já que não sabe o que significa a existência de moral. Eis o que se apresenta na realidade aqui tratada: amoralidade.

Boa parte dos atos e omissões de Lula eram tolerados por seus correligionários em razão de seu “caráter mítico” e das benesses que, supostamente, trariam ao partido. Trata-se de uma velha experiência ao mesmo tempo personalista e burocrática que vigeu por longos anos na URSS. Considerando esses fatores, a situação de Lula, bem como de outros integrantes da cúpula partidária, fica ainda pior em face dos militantes do PT quando se descobre que os desvios não buscavam apenas o projeto de poder do partido, mas também o enriquecimento pessoal de alguns dos envolvidos. Deve ser duro para um petista ouvir José Dirceu dizendo que, para ele, cento e vinte mil reais é mixaria. Nesse último aspecto, a atual situação da cúpula petista é o maior exemplo de traição. Não traíram apenas os interesses nacionais, mas especialmente os militantes, muitos dos quais, ainda cegos pela falsa ideologia, prosseguem a defendê-los. Outros tantos recebem o “sanduíche de mortadela” e “emprestam presença” a algumas manifestações.

A lógica do “nós X eles” perdeu força. Não dá mais para sustentar que o PT é a pureza ética e que o restante é a escória. O PT é pior do que aqueles que sempre rechaçou. Neste instante, busca lucrar ao tentar igualar-se com o que existe na política nacional. Em suma, se for considerado igual a “eles” estará com saldo positivo. É este um ponto decisivo para que a oposição se recuse a se aliar ao governo Dilma. Não se pode pactuar com indivíduos ou partidos que não se comprometem com a ordem jurídica. Cabe à oposição o papel de alertar a opinião pública acerca dos desmandos do governo atual, clamando a participação popular como forma de revitalizarmos um país destroçado por 13 anos de absoluto descompromisso com o interesse público, fomentado pelo populismo demagógico.

Mas em que ponto se encaixa o caso de FHC com a jornalista? Ora, em tudo que acima foi exposto. A fórmula petista para se salvar no debate público é escolher inimigos. Sempre foi assim! Estão presos à ideia do “nós X eles”. Logo, atacar FHC é desconstruir sua imagem de modo a tentar aproximá-lo do quantum moral atingido por Lula.

Não devemos de antemão defender FHC. Se ele enviou irregularmente dinheiro ao exterior para pagar a pensão de seu suposto filho deve responder por isso. O que não se pode admitir, e este é o ponto crucial, é o tal expediente que busca nivelar os homens públicos. Se houver irregularidade praticada por FHC, tal fato jamais poderá inocentar Lula e boa parte de sua família, caso sejam provadas as ilicitudes que lhes são atribuídas. É preciso estar atento para essa prática absurda e amoral. Uma prática que desmerece a inteligência média dos brasileiros. Expediente ardiloso que se consubstancia na defesa através do ataque.

Numa República democrática, ninguém está acima da lei. O PT não conhece bem essa realidade. Ao contrário, acredita que Lula está passando por uma “injustiça”. No entanto, para democratas, investigações e processos são garantias não apenas do interesse público, mas também dos acusados. Afinal, os autos processuais representam o espaço propício para o exercício da ampla defesa e do contraditório.

A grande questão da atual destruição da figura mítica de Lula reside no fato de lhe atribuírem o tal caráter messiânico que o colocaria acima dos demais. Na lógica do populismo demagógico, o líder político faz favores e age como “pai dos pobres” em relação aos cidadãos. O PT, nesse sentido, demonstra enorme atraso em relação ao Brasil atual. O Brasil de hoje é – ou deveria ser – o das instituições e não o do personalismo. Assim, cada um deve responder por aquilo que fez. Não adianta apontar o dedo ou afirmar que todos fazem. É preciso estar sempre disposto a explicar e estimular condutas que garantam maior transparência e aplicação das normas jurídicas sem qualquer distinção.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de  ensino superior, Doutor e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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