A vitória de Rodrigo Maia – o novo presidente da Câmara dos Deputados

Rodrigo MaiaQuando Eduardo Cunha renunciou, diversos deputados lançaram seus nomes com a intenção de presidir a Câmara dos Deputados. Alguns aventureiros, sem a menor chance de vitória, apenas o fizeram em busca de “marcarem posições”. No instante vivido pelo país, com crises em série, essa atitude demonstra o despreparo político de boa parte dos parlamentares. O atual momento pede concentração de esforços em prol de uma agenda positiva que consiga salvar o Brasil.

Rodrigo Maia e Rogério Rosso foram os principais candidatos. Conseguiram chegar ao 2º turno. Mas, felizmente, a vitória de Rodrigo Maia acabou por enfraquecer o bloco do “centrão”, formado essencialmente pela ala chamada “baixo clero”. Além disso, o candidato da ala “dilmista”, Marcelo Castro, nem sequer conseguiu chegar ao 2º turno, fato que já indica a fragilidade dos apoiadores de Dilma.

Ontem (18.07.16), Rodrigo Maia esteve no programa Roda Viva. Mostrou-se um político com “p” maiúsculo. Não caiu em nenhuma das provocações dos jornalistas. Ao contrário, respondeu cada uma das perguntas que lhe foram feitas de maneira bastante firme.

Boa parte do primeiro bloco se resumiu a questionamentos relativos à relação entre Rodrigo Maia e Eduardo Cunha. O novo presidente da Câmara, sem negar a boa relação política que tinha com o ex-presidente, esclareceu a natureza de seus diálogos com Eduardo Cunha, sem deixar qualquer suspeita no ar.

Quem tem alguma memória acerca da trajetória de Rodrigo Maia ao longo de seus 5 mandatos, avalia-o como um parlamentar que tem palavra e que consegue dialogar com adversários sem se preocupar com o “troca-troca” de favores que marca boa parte dos deputados do “centrão”. Aliás, um dos pontos que viabilizaram a vitória do atual presidente da Câmara foi exatamente a clareza de suas posições. A política não se dá bem com gente que não tem palavra. Mais importante do que as ideias, o parlamento reclama o compromisso com a palavra empenhada. Nesse quesito, grande parte dos parlamentares credencia Rodrigo Maia.

Contudo, a missão do deputado eleito presidente não será nada fácil. Estamos em ano eleitoral e, antes das eleições municipais, teremos as olimpíadas. Sabemos que ambos os eventos paralisam a vida parlamentar. Se Rodrigo Maia conseguir dar andamento às principais questões que estão sob os cuidados da Câmara, certamente será lembrado como um bom político. Conforme sempre dissemos, não existe velha e nova política, mas sim boa e má. As características de Rodrigo Maia o colocam dentre aqueles que sabem o que significa a boa política, isto é, a que é encarada com seriedade.

Como “arte do possível”, a política não confere espaço a “sonhadores”, muitos dos quais presentes na Câmara. De nada adianta querer exterminar falhas do sistema político sem que o debate se dê de maneira racional. Boa parte daqueles que querem mais a fama do que o trabalho parlamentar, opta por “jogar para a torcida”, assumindo posturas que não terão êxito, mas que “darão espaço na mídia”. Esse perfil não se adequa ao político que seja dotado de mínima seriedade. O populismo nunca se revelou um instrumento da democracia. Aliás, “muito pelo contrário”.

Outro ponto alto da entrevista de Rodrigo Maia diz respeito às respostas que deu quando indagado sobre sua afirmação no sentido de que Eduardo Cunha foi um bom presidente da Câmara. Nós também proferimos frases com o mesmo teor. Afinal, pessoalmente, Eduardo Cunha tinha e tem uma série de problemas que vieram efetivamente à tona ao longo de sua presidência. Todavia, não se pode negar que ele conseguiu conduzir os trabalhos de maneira absolutamente fiel ao regimento, conferindo, inclusive, autonomia ao Legislativo que não se via há muitos anos. Poucas decisões de Eduardo Cunha foram alteradas pelo STF. Salvo engano, apenas a que determinou a eleição da comissão especial do impeachment, essencialmente ligada às chapas avulsas e ao sigilo da votação. Isso demonstra o sucesso da perspectiva operacional do plenário.

Rodrigo Maia é jovem. Não completou 50 anos. Mas tem vasta experiência. Assumiu-se como um político que não tem receio de reconhecer sua ligação com o pensamento chamado “de direita”. Atitude que demonstra coragem, sobretudo num país em que afirmações como essa são prontamente criticadas por uma esquerda atrasada e quase religiosa do ponto de vista ideológico.

Os desafios da Câmara nos próximos 7 meses são grandes. Ninguém duvida que boa parte do necessário não terá condições de ser feito, sobretudo em razão dos eventos que teremos em 2016. Entretanto, a transparência e seriedade de Rodrigo Maia nos trazem algum alento. Sua capacidade de compreender a essência da política deve facilitar o andamento dos trabalhos no parlamento. Rodrigo Maia merece o apoio da sociedade brasileira, a fim de que possamos amenizar os efeitos das crises que nos assolam.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de ensino superior, Doutor e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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