A “idiossincrasia” de Eduardo Suplicy

SuplicyO ex-senador Eduardo Suplicy, ex-secretário de direitos humanos da Prefeitura de São Paulo, protagonizou uma cena que deve gerar as mais diversas reações. Suplicy será candidato a vereador nas eleições municipais de 2016. Não há dúvida de que terá expressiva quantidade de votos. Trata-se de um político que busca afirmar uma espécie de “paixão” pelo social. Muitos são os populistas, mas Suplicy passa a encarnar uma figura distinta nessa onda do populismo. Ele é uma espécie de Policarpo Quaresma. Se o ex-senador realmente acreditar em suas atitudes, há mais ingenuidade e ignorância em suas ações do que oportunismo. Todavia, o futuro vereador – pois será eleito – deve conhecer muito bem os resultados que pretende com seus gestos.

A maior parte da juventude se entusiasma com Eduardo Suplicy. Já passei dessa fase! Suplicy – respeitadas as opiniões contrárias – passou a ser uma “caricatura de si mesmo”. Durante as eleições para o governo do Estado de SP, apareceu carregando nos ombros Alexandre Padilha, o candidato petista ao Palácio dos Bandeirantes. Sua atuação em comissões parlamentares no Senado Federal foi marcada por inúmeros instantes em que cantava de Bob Dylan a hip hop.

Essa persona criada por Eduardo Suplicy atrai alguns jovens e muitos desavisados. Afinal, Suplicy parece – mas não é! – o “último bastião da revolução do proletariado”. Ao contrário de muitos de seus atuais admiradores, tive a curiosidade de ler suas obras sobre o programa “renda básica de cidadania”. São livros bem escritos. Há citações de autores liberais.

Cheguei a escrever uma carta ao ex-senador. Contudo, sua face utópica parece aniquilar a imprescindível capacidade de realização que todo político deve ter. Talvez tenha sido essa a razão para muitos presidentes terem se recusado a receber Suplicy no Palácio do Planalto. Seus discursos são longos, sonhadores, mas não têm nada de pragmatismo. Esse perfil sempre atrairá alguns eleitores, mas boa parte dos cidadãos se cansa dessa encenação diária.

Hoje, Suplicy resolveu “enfrentar” a Polícia Militar durante uma reintegração de posse. Deitou-se com os moradores que ocupavam o terreno da Prefeitura de São Paulo e assim foi retirado pela PM. O gesto lhe rendará inúmeros votos para ocupar uma cadeira na Câmara dos Vereadores de São Paulo. Entretanto, a atitude de Suplicy é um tanto “incoerente”. A razão é simples. Afinal, a reintegração se deu em razão de processo ajuizado pela Prefeitura de São Paulo, da qual Suplicy foi secretário. Além disso, segundo informações da imprensa, a área reintegrada oferecia enorme risco aos ocupantes e a própria Prefeitura já havia planejado modos de realocar os desalojados.

A ação de Suplicy se mostrou mais um ato de sensacionalismo em sua vida. Um momento a mais para “jogar com a torcida”. Carregado por quatro PM´s, Suplicy atacou nas redes sociais. Disse que a PM ia acabar com os moradores e que se fez isso com um ex-senador, faria muito pior com os ocupantes da área. Não! Suplicy é ex-senador, ex-secretário municipal, mas, antes de tudo isso, é um cidadão comum. Quando a justiça determinou a reintegração de posse, a pedido da Prefeitura que Suplicy integrou, qualquer um que se colocasse em face da ordem estaria em flagrante ato de desobediência. Para o direito, ser ex-senador, ex-secretário ou o que quer que seja, não diferencia um cidadão, salvo quanto a eventual foro privilegiado. Não era o caso!

Eduardo Suplicy está em campanha. Seus conhecidos meios, nada ortodoxos, devem fazer os cidadãos pensarem a respeito de sua candidatura. Esse é o modo pelo qual um político deve agir? Os jovens e os que agem com o coração dirão que sim. Todavia, a atitude foi equivocada. Foi mais um episódio de “estrelismo”. Quando muito, o ex-secretário devia ter garantido a ordem e a paz na reintegração e não se prestado, uma vez mais, a esse lamentável papel.

“Contudo, todavia, entretanto”, tenho absoluta certeza de que Suplicy estará entre os mais votados candidatos a vereador. É conhecido e ainda se presta a receber aplausos daqueles que não entendem bem como funcionam as instituições democráticas. Tem gente pra tudo! Isso passa!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de ensino superior, Doutor e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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