“Martarazzo”: a chapa da incoerência!

Martarazzo“Martarazzo” é o resultado da aliança entre Marta Suplicy e Andrea Matarazzo para a Prefeitura de SP. Já esclareci que a eleição em SP está aberta. Contudo, a aproximação de Marta e Andrea é um tanto curiosa. Afinal, Andrea foi um dos maiores críticos da gestão Marta Suplicy. Chegou a adjetivar a gestão da ex-petista de “nefasta”. Eu mesmo não achei a gestão de Marta tão ruim. Mas Matarazzo fez questão de condená-la. Devo ser honesto. Penso que Marta, mesmo no PT, fez bons avanços em setores sociais. Ela, definitivamente, não precisava de Andrea neste momento.

Andrea estava certo que seria candidato a prefeito pelo PSDB. Acreditava na velha forma de nomeação com base em decisões de caciques. Perdeu! João Doria surgiu e levou a vez nas prévias. Matarazzo, como um mau jogador e um mau perdedor, resolveu deixar o partido. Caiu nos braços do PSD de Kassab, o político “sem lado ou opinião”. O exemplo do fisiologista!

Há algumas semanas, Matarazzo dizia que era impossível ser vice de Marta. Dizia que era mais fácil “uma vaca voar!”. Pois “a vaca voou”! Tendo perdido o ritmo das pré-candidaturas, Matarazzo notou que seu nome não receberia o apoio necessário. O que fez? Simples! Recorreu a Kassab, cacique de seu atual partido, e a José Serra, o tucano mais petista que já existiu. Conversando com ambos, foi convencido a ocupar a posição de vice na chapa de Marta.

Para aqueles que gostam de política e que leram os dois volumes – já publicados! – da obra “Diários da Presidência” de Fernando Henrique Cardoso, resta clara a posição arrivista de José Serra. Como FHC mesmo esclarece, trata-se de um excelente quadro que tem péssimas condições políticas. Faz parte da ala daqueles que fazem tudo pelo poder.

Não devemos discutir a capacidade de Serra ou mesmo de Matarazzo. São pessoas capazes, mas capazes de tudo. Isso é um enorme problema. Essa característica esbarra em algo essencial: lealdade. Para chegarem onde querem são capazes de tudo, inclusive de se aliarem a Marta Suplicy, cuja gestão tanto criticaram.

Andrea saiu atirando quando deixou o PSDB. Mas atirou tanto para quê? Para apoiar Marta? Um tucano que se dizia tão contrário ao PT e que abraça a candidatura da ex-petista? Incoerência, não?

O que está por trás disso tudo? Simples! José Serra quer ser candidato à presidência da República em 2018. Com a candidatura de Doria, sentiu que perdeu espaço para Geraldo Alckmin. Assim, levou Matarazzo, seu soldado de primeira hora, para a chapa de Marta. A estratégia é clara e bastante antiga. Serra costura sua migração ao PMDB para sair candidato em 2018. O que Serra ignora é a capacidade de Temer. Michel Temer dará espaço para Serra em 2018? Duvido.

O movimento do PMDB pode implicar a perda de apoio do PTB de Campos Machado. A vaga de vice estava negociada com o PTB. Pode até ser que o PTB consiga barganhar cargos no governo federal – atualmente com o PMDB – acalmando os ânimos de Campos Machado. Contudo, a troca pelo candidato de Kassab é bastante séria. Esse movimento pode levar o PTB ao colo de Doria, cuja coligação já conta com mais de 10 partidos.

Sinceramente, acredito que Marta não precisava de Andrea. Podia ter feito aliança com o PSD sem ter colocado Matarazzo na vice. Mas essa estratégia está só começando e revela a gana de José Serra pela presidência da República. Andrea, neste momento, é apenas instrumento de José Serra. Este é capaz de abandonar Matarazzo mais adiante.

É curioso notar como Serra sempre foi alguém bastante difícil dentro do PSDB. O partido de Serra é “ele mesmo”. Trabalha a favor ou contra o que for para alcançar o que quer. Lamento afirmar, porém, que José Serra jamais conseguirá chegar à presidência. Eis um caso clássico de competência desprovido de coerência e lealdade. Quando um político se acha maior do que tudo, acaba caindo na realidade e percebendo que é quase nada. Como disse FHC em sua biografia (resumindo!): Serra poderia ter sido e não foi. A ambição cegou a capacidade política.

Quanto à chapa “Martarazzo”, penso que Marta perde e Matarazzo ganha um “prêmio de consolação”. O que os assessores de Marta talvez não tenham imaginado é o que será da Prefeitura de SP com Matarazzo como vice. Afinal, assim como seu mentor, José Serra, Matarazzo é um quadro com preparo, mas extremamente difícil. Kassab deve tentar “engraxar” essa união. Todavia, o político sem posição, notando alguma dificuldade, rumará para mares mais tranquilos.

Por todo o exposto, penso que a aliança “Martarazzo” tende a prejudicar a candidatura de Marta Suplicy. Assim como a rejeição, a incoerência terá enorme peso nestas eleições. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. Até aqui, porém, parece-me que a candidatura de Doria sai fortalecida!

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de ensino superior, Doutor e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Presidente da Comissão de Direito Econômico da 93ª Subseção da OAB/SP – Pinheiros, mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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