A miséria da “esquerda ungida” chega ao topo!

Lula DilmaHoje (24.07.17) o jornal “O Estado de São Paulo” publicou importante editorial no qual reflete a respeito do futuro da esquerda no Brasil. Sempre muito enraizada na pessoa do ex-presidente Lula – sobretudo a partir da redemocratização -, os constantes escândalos têm demonstrado que não há “plano B” para aqueles que se curvaram ao messias denunciado por diversas vezes e já condenado em primeira instância. Os casos de corrupção que o têm como centro se multiplicam e, ainda assim, a militância da “esquerda ungida” prossegue a defendê-lo como se tudo não passasse de perseguição política.

A cegueira ideológica é tratada há bastante tempo neste blog. O PT e sua base de apoio, desde as condenações do mensalão, preferiram abraçar a narrativa da “injustiça”. Com os desvios da Petrobrás a lógica não sofreu nenhuma mudança. Se o condenado é petista ou alguém que componha essa base, a Justiça apenas se fará com a absolvição. A estratégia é velha conhecida. Os regimes ditatoriais cultuaram pessoas, fazendo delas verdadeiros messias. Lula é fruto desse messianismo que parece estar próximo de seu ocaso.

O comportamento da onda “lulopetista” não conseguiu se adaptar aos novos tempos. Acostumada a pautar debates e criar narrativas, nunca havia se defrontado com questionamentos explícitos e populares dessa artimanha. Atualmente, boa parte da sociedade civil está atenta a esse mecanismo. Movimentos cívicos passaram a combater o “monopólio do discurso”, confrontando a intelligentsia que ocupa as mais diversas instituições em nosso país. Jamais o “lulopetismo” enfrentou tamanha aversão, respaldada em dados estatísticos e técnicos não provindos de suas bases. Não é errôneo afirmar que a esquerda no país deixou de pautar o debate nacional, passando a ser dele mero “item de pauta”.

George Orwell, em sua obra “1984”, alertou para esse modelo, mas poucos conseguiram vislumbrar a que ponto isso se estendia. O debate protagonizado pela esquerda sempre leva em conta a divisão social e a coloca como a protetora dos “oprimidos”. Contudo, ao longo de 13 anos à frente do governo federal, foi desmascarada a partir de críticas sólidas que questionaram essencialmente essa base. O agigantamento do Estado nos governos petistas, ao lado de amplo apoio aos setores do mercado financeiro, desmascarou a farsa. Os privilégios aos “amigos do rei” e o descaso com as premissas econômicas trouxeram luz à única razão que move esses indivíduos: a causa pessoal e a causa partidária. A lealdade é quase criminosa. O país pouco importa, desde que as premissas da “cartilha oficial” estejam atendidas.

Os gritos das ruas que afirmavam que “a nossa bandeira jamais será vermelha”, demonstraram que a sociedade civil acordou para essa realidade que perdurou bastante tempo em nosso país. A divisão social que tanta diferença fez a favor do regime lulopetista acabou por destruí-lo. Nessa medida, para aqueles que gostam dos “ensinamentos marxistas”, a própria história trouxe a destruição dessa realidade. Para os que preferem o real ao utópico, foi o descalabro de 13 anos à frente da União que corroeu a mentira demagógica dos “companheiros do partido”.

A direção dos partidos e a própria militância lulopetista se mostram perdidas. Não sabem como lidar com o novo momento. Intelectuais respeitáveis, embora membros – cientes ou não – dessa intelligentsia dos que se consideram ungidos, nunca imaginaram um momento como o presente. Ainda que a narrativa nunca tenha tido menor sentido do que agora, eles prosseguem, assim como fiéis religiosos, afirmando a inocência de Lula e a perseguição política. Não acordam sequer com a baixa adesão aos movimentos favoráveis ao ex-presidente. Afinal, acreditam nas pesquisas enviesadas que o colocam na dianteira para a Presidência da República.

Mesmo com o resultado da pesquisa promovida pela Fundação Perseu Abramo, umbilicalmente ligada ao PT, dirigentes e militantes ainda acreditam que o povo quer mais Estado, já que isso muito lhes convêm. A vitória de candidatos liberais em boa parte do Brasil prova o contrário. O brasileiro cansou de ser surrupiado por um Estado agigantado que apenas se volta a garantir as benesses dos que estão no poder. A população quer um Estado eficiente, com menos cabides de emprego e com maior qualidade nos serviços públicos. O povo sabe que o Estado agigantado – ao contrário do que sustenta Lula – promoveu as bases de toda corrupção que faliu diversos entes federativos. A liberdade nunca foi um valor tão evidente para nossa sociedade.

Apesar de tudo isso, embriagados pelos discursos populistas e presos à lógica do Estado agigantado para empregar companheiros incompetentes, os lulopetistas seguem como zumbis na política. Ao invés de adequarem o discurso, preferem resgatar o falso arcabouço de valores que propugnaram nas origens do PT. Falam contra reformas que, quando governo, defendiam. Tentam resgatar a legitimidade que um dia tiveram junto dos trabalhadores, mas ignoram a fraqueza dos sindicatos e a esbornia que levaram adiante na distribuição de cargos públicos. O discurso não se prova verdadeiro em face dos atos praticados. Nesse aspecto, o lulopetismo perdeu bastante ao se tornar governo. Deixou de esconder a farsa que o movia e agora não consegue se desfazer da contradição evidente entre a teoria e a prática.

A maior prova dessa “esquizofrenia” que é percebida pela população em geral se deu por meio do apoio que PT e PCdoB declararam ao regime ditatorial de Nicolás Maduro. Na pior fase do governo bolivariano na Venezuela, lulopetistas decidiram apoiar um sistema que se mostra cada vez mais avesso à democracia. O expediente é desastroso, mas não é surpreendente. Em face das críticas que têm sofrido, o lulopetismo prefere se apegar às bases de sua cegueira ideológica, deixando evidente seu descompromisso com o regime democrático. A atitude prova o que os move, mas, especialmente, o desespero que tem norteado a vida dos partidos e da militância lulopetista.

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito do IDP-SP, da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de ensino superior, Doutor e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Diretor do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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