A “bola fora” do prefeito João Doria Jr.

Bola foraQuem acompanha as redes sociais deve ter visto o vídeo publicado por Alberto Goldman, ex-braço direito de Quércia e filiado ao PSDB há algum tempo. Goldman chegou a assumir o governo do Estado de SP quando José Serra era governador. Desde as prévias que consagraram João Doria o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, a ala integrada por Goldman faz sérias críticas ao atual prefeito. Chegou até mesmo a judicializar questões internas que não precisavam ter esse destino.

Particularmente, não tenho nenhum apreço por Alberto Goldman. Ao contrário, vejo nele uma figura amargurada, repleta de rancor e inveja. Nunca se mostrou alguém realmente preocupado com o partido. Suas preocupações se voltam a questões pessoais decorrentes da perda de espaço em sua própria sigla. O vídeo em que ataca João Doria é mais uma demonstração dessa face conhecida por todos que acompanham a política nacional. Goldman chegou a sugerir que todas as licitações da atual gestão são “dirigidas”. A acusação é gravíssima e merece contestação judicial.

Mas por que afirmo que João Doria deu uma “bola fora”? Porque na manhã de hoje publicou vídeo em resposta a Goldman. O primeiro equívoco foi dar espaço a quem não tem. Com a resposta do prefeito, amplamente seguido em redes sociais, Goldman conseguiu o retomar parcialmente o espaço perdido. O segundo equívoco se refere ao conteúdo da resposta. As palavras de Doria não buscam defender sua gestão, mas sim ofender Alberto Goldman. O prefeito jamais poderia ter caído nessa armadilha. Sua posição pede inteligência e equilíbrio emocional. Suas palavras dão conta da ausência desses dos importantes pressupostos para a vida política.

É inegável que João Doria aspira chegar à Presidência da República. A postura adotada ao longo dos últimos meses atesta esse interesse. O melhor que pode fazer para buscar esse objetivo, contudo, é mostrar resultados à frente da Prefeitura de São Paulo. Votei em Doria e aqui me manifesto como seu eleitor. Justamente por ter obtido meu voto, fico absolutamente à vontade para tecer críticas, muitas das quais já publicadas neste blog. Não aprovo o vídeo! A posição que Doria ocupa não se coaduna com essa espécie de comportamento que, a meu ver, revela imaturidade política.

Compreendo que Doria se coloca como o “anti-Lula” e que essa é a maior demonstração de ser ele um político com pretensões presidenciais. Respostas dadas com o fígado, porém, não passam segurança àqueles que verdadeiramente entendem e participam da política. Para além disso, Doria tem usado em demasia e equivocadamente as redes sociais. Destila ódio desnecessariamente ao invés de apresentar resultados efetivos. Isso não é bom para ele e também é ruim para a política.

A sociedade está polarizada e assim prosseguirá até a eleição de 2018. “Esquerda” e “direita” prometem uma eleição bastante truncada. Todavia, essa polarização não deve durar muito. O clima de acirramento e ódio cansa o cidadão. É datado! A partir de 2018, quando penso que alguém de centro ou centro-direita chegará à Presidência da República, a sociedade exigirá equilíbrio e resultado. É ruim ao país a manutenção do clima de desunião entre os brasileiros.

Ao gravar o “vídeo resposta”, Doria acusa o golpe de um quadro tucano sem maior expressão e acaba por elevá-lo. Num partido em que os ânimos já estão abalados, Doria deu “bola fora”. Na posição de prefeito, deveria ter interpelado judicialmente Alberto Goldman, ao invés de acordar numa manhã de sábado e destilar seu ódio. Esse não foi o único “equívoco gravado”. O tom usado na defesa da incidência de ISS em determinadas atividades também se mostrou errado. Não parecia a manifestação de algum que se coloca como adepto do liberalismo econômico, ainda que a obrigação advenha de legislação federal.

Repito, votei em João Doria e acredito que ele tem enorme potencial para fazer uma boa gestão na cidade de São Paulo. Entretanto, se não tiver inteligência emocional e preferir a propaganda do ódio à demonstração de resultados, inviabilizará sua candidatura em 2018. Propaganda tem limites! O povo já percebeu e a popularidade do prefeito, eleito no 1º turno, em feito histórico, já está em queda.

Note-se, ainda, que o atual prefeito, caso escolha candidatar-se, terá que superar a pecha de traidor que lhe será carimbada na testa. Isso só acontecerá se Alckmin, principal cabo eleitoral de Doria em 2016, apoiar sua candidatura. Na ausência desse apoio, a situação ficará ainda mais complexa. Também por isso o prefeito precisa de um pouco mais de equilíbrio. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

Luiz Fernando de Camargo Prudente do Amaral, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), da Faculdade de Direito do IDP-SP, da Faculdade de Direito da Universidade Paulista e de programas de pós-graduação em instituições de ensino superior, Doutor e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Especialista em Direito Público pela Escola Paulista da Magistratura, Especialista em Direito Penal Econômico e Europeu pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra-Portugal, Diretor do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), mantenedor do site http://www.cidadaniadireitoejustica.wordpress.com.

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